Autarcas ponderam pedir ajuda ao Governo

Vários autarcas do distrito de Viana do Castelo ponderam pedir ajuda ao Governo devido aos estragos causados pelo mau tempo na noite da passagem de ano, provocando corte de estradas, entre outras ocorrências.

Fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) referiu que Viana era o distrito “mais castigado” pela chuva intensa e pelos fenómenos de vento adverso, registando mais de meia centena de ocorrências em pouco mais de duas horas.

Segundo fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, os concelhos mais fustigados pela precipitação e vento foram Valença, onde uma parte da muralha foi derrubada pelas águas, bem como V.N. Cerveira, Caminha e Viana do Castelo.  A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, esteve durante o dia de segunda-feira em alguns destes concelhos para perceber a dimensão dos estragos.

Na capital de distrito

“Houve derrocadas e uma pessoa foi realojada”, referiu Luís Nobre. Segundo o edil, o ponto crítico foi a EN13, em Afife e a reta de V. N. Anha. Nesta, um carro foi arrastado pela força da água. A rua estava interdita e vedada pela GNR, mas um casal decidiu tentar passar com o carro, acabou arrastado e parcialmente submerso. No local estavam operacionais dos Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo, militares da GNR e o presidente da Câmara que socorreram o casal.

Quedas de árvores e infraestruturas, vias cortadas, carros arrastados pelas águas que transformam arruamentos em lagos. As iluminações festivas, sobretudo ao fundo da Avenida dos Combatentes, foram arrancadas pela força do vento. Os festejos programados para a noite da passagem de ano foram adiados devido às previstas más condições atmosféricas. 

O viaduto da Parinheira, Areosa, junto ao Minipreço, foi o sítio mais alagado, 2,40 metros de água acima do solo.

Na via por debaixo da ponte Eiffel e na Avenida do Cabedelo também se verificaram os habituais alagamentos, tornando as vias dificilmente transitáveis

Inundações  no Santoinho

Nestes últimos dias de chuva intensa, o Santoinho foi também inundado devido à água oriunda do Monte da Ola. Segundo nos foi explicado, a mesma deveria passar por uma conduta, que foi tapada, no terreno vizinho, situado a montante e que também ficou alagado, facto que não é inédito, obrigando a água a passar para o terreno do Santoinho. 

Esta situação recorrente fez com que o espaço dos terrenos do Santoinho se transformassem em algo parecido com um lago. Se aquela conduta estivesse desobstruída permitiria a água seguiria o seu curso natural por baixo da EN 13 e, deste modo, seria efetuado devidamente o escoamento necessário, aliás, como está assinalado no Plano Diretor Municipal (PDM).

Males maiores não se registaram, afiançaram-nos, devido aos responsáveis do Santoinho terem utilizado uma saída de águas pluviais que existe há décadas para escoar essa água vinda desse alagamento, mitigando a situação. Caso, contrário, a água teria derrubado o muro e inundado habitações vizinhas.

Entretanto, já tinha dado entrada em tribunal uma providência cautelar no sentido de colocar funcional a conduta que foi tapada e, deste modo, pretende-se colocar o curso de água a seguir o seu trajeto natural. 

Temos a informação de que a Câmara está sensível à situação, prometendo que irá atuar no sentido de a situação ser regularizada e evitar situações idênticas no futuro. A esta cabe a manutenção da conduta de água que atravessa a EN 13, com um comprimentos aprroximado de 36 metros.

“Se houvesse arraial de noite teria de se entrar de barco. Esta situação é muito grave e poderá ser cada vez pior, caso não limpem a conduta que foi obstruída. A situação já tinha sido registada na Câmara mas nada foi feito”, refere fonte da Administração do espaço cultural. 

O PSD e o PCP também manifestaram, em comunicado, as suas preocupações.  Olegário Gonçalves, líder distrital dos “laranjas”, avisa que o “Governo deve olhar para todas as situações de igual forma”, observando que “não somos Lisboa, mas esperamos que haja o mesmo tratamento por parte de quem nos governa”. Alfredo Maia, deputado comunista, questionou o Governo sobre, nomeadamente, as medidas tomadas ou a tomar para “acompanhamento e apoio da situação, em articulação com as autarquias, associações de produtores e outras entidades”.    

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