Efeitos do medo do coronavírus na dinâmica associativa das Comunidades Portuguesas

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Daniel Bastos

O tema é incontornável. Os efeitos do medo do coronavírus espalham-se a uma velocidade estonteante por todo o mundo, e por estes dias assumem na Europa, novo epicentro da pandemia, consequências devastadoras. Em particular na Itália, onde o total de infetados no momento ultrapassa os 20 mil casos, e as mortes perfazem quase dois milhares de vítimas.

O apelo no Velho Continente é para ficar em casa. Portugal não é exceção, antes pelo contrário. Por estes dias, somam-se novos casos da covi-19 no país, registando-se nesta altura cerca de 250 casos confirmados, felizmente ainda sem vítimas, mas a apontar-se o aumento de número de casos até ao final de abril, que se esperam mitigados através do encerramento de escolas e a limitação das fronteiras aéreas, marítimas e terrestres.

Os sinais dos novos tempos são assim, um pouco por todo o mundo, não obstante o impacto tremendo da pandemia na atividade económica, a quarentena e o isolamento social, pois a vida humana não tem preço e prevenir ainda é o melhor remédio. Disseminadas pelos quatro cantos do mundo, as Comunidades Portuguesas, a mais autêntica e consistente manifestação portuguesa além-fonteiras, não estão imunes a estes efeitos que alteram transversalmente o nosso quotidiano e rotinas.

De facto, são já conhecidos vários casos no movimento associativo das comunidades lusas, em que estão a ser cancelados ou adiados eventos e iniciativas que integram os planos anuais de atividades de muitas associações, quer devido aos efeitos do medo do coronavírus, assim como pelas medidas de contenção e mitigação da pandemia. Esta conjuntura que desorganiza desde logo o normal funcionamento das associações, e entrava a execução integral do seu plano anual de atividades, pode colocar inclusive em causa a sua subsistência, dado que os eventos e iniciativas que estão a ser cancelados ou adiados, são em vários casos essenciais para obter receitas que permitam financiar o seu normal funcionamento.

Nesse sentido, perante esta nova realidade socioecónomica que afeta a dinâmica associativa das Comunidades Portuguesas urge uma visão de apoio e solidariedade dos responsáveis políticos das pátrias de origem e de acolhimento dos emigrantes lusos, os mais genuínos embaixadores da Pátria de Camões.

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