Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Viana

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Na tarde de 26 de Setembro de 2017, tive a alegria de receber, aqui no Porto, a visita do Coronel João Campos Sardinha (que, infelizmente, já nos deixou a 14 de Abril de 2018) e do Alfredo Faria Araújo, da Casa do Ameal. Eram portadores e fizeram-me a entrega de dois exemplares da 3’ Edição do livro do meu pai “A Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo”, com uma amável dedicatória da Snr.a Provedora, Dr.a Luísa Novo Vaz, que, publicamente, agradeço.

Por mera curiosidade, informei-os que a foto da capa e os “diapositivos” inseridos nas páginas da 1’ Edição (1963) são da autoria dos, já desaparecidos, “Estúdios Tavares da Fonseca”, então dos melhores do Porto. Funcionavam no 2° Andar deste mesmo prédio, na Praça dos Poveiros, onde resido desde 1967. Ainda conheci bem Tavares da Fonseca, óptimo profissional de fotografia e grande admirador de Viana, com o seu inseparável cachimbo, atestado de rescendente tabaco. A propósito, no Apartamento em frente ao meu, em tempos, estava instalado o consultório de Ortopedia do Dr. Ângelo Couto Soares (que já nos deixou há muitos anos…). Este Médico, além de excelente pessoa, era um conceituado Cirurgião mas, também, um inveterado fumador de cachimbo. O meu pai, igualmente, era fumador de cachimbo e , por vezes, reuniam-se, num jantar aqui no Porto, os três amigos fumadores…

Naquela tarde de um enevoado dia de Setembro, logicamente conversamos sobre muitos assuntos, desde velhos tempos do Licéu, colegas e amigos dispersos pelo Mundo, até a Viana de hoje. Porém, verifiquei que estavam preocupados com o futuro do estado de conservação do valiosíssimo património daquele templo, que o meu pai já tinha classificado como “obras de arte que a Igreja da Santa Casa da Misericórdia contém, que lhe dão jus a ser c um verdadeiro museu”. Esse património engloba, como sabemos, obras de pec:rar:a_ madeiramentos, azulejos, pinturas, talhas, etc., cujo eventual restauro pode ser mais ou menos urgente, demorado (e dispendioso). Quando tentávamos efectuar uma avaliação dos custos, recordei o meu avô materno que, muito jovem, emigrou para o Brasil, onde se especializou, digamos assim, no restauro de talhas dos Altares. Trabalho lento, minucioso, com a cuidadosa aplicação final de “folhas de oiro”. Mas o inexorável clima daquelas longínquas parazens agravou o seu estado de saúde e, contrariado, foi obrigado a regressar a Viana (e a dec:_zar-se a outra profissão, bem diferente da anterior…). No entanto, a paixão pelo restauro manteve-se e recordo o 2’ Andar da sua casa (onde nasci) com uma divisão semi-circular (talvez uma ar.t’_ a despensa). Ali, nas prateleiras, bem arrumado, víamos muito material, como lixas, pincéis, martelos, alicates, tesouras, chaves de fendas, chaves inglesas, limas, etc. Nas gavetas de uma papeleira, ainda se amontoavam uns caderninhos vazios que, outrora, guardariam reluzentes “folhas de oiro”, entre as suas páginas…

Também num rápido olhar sobre tempos passados, verificamos que, muitos de nós, já tivemos familiares ao serviço da Santa Casa da Misericórdia de Viana. Como exemplo, apenas refiro a consulta do Jornal “A Aurora do Lima”, de 05 de Julho de 1869, que anuncia o resultado das eleições para a Mesa do Hospital. Ali deparamos com o nome de José Luís Dias, meu tio-avô materno, eleito para os “Conselheiros de menor”…

Mas, insistindo no tema das obras de conservação e restauro, através da TV Galiza acompanhei, há pouco, os trabalhos na Catedral de Santiago de Compostela, especialmente no “Pórtico da Glória”, tão relacionado com Mestre Mateo. No final, removidos andaimes e tapumes, foi possível, então, contemplar toda a esplendorosa beleza das obras restauradas! Os trabalhos tiveram o financiamento de um importante patrocinador.

Numa outra dimensão, encontrar um patrocinador para os trabalhos no nosso templo, talvez seja o mais indicado. Caso isso não seja possível, salvo melhor opinião penso que a Santa Casa da Misericórdia de Viana poderia instituir um fundo, exclusivamente destinado a essas obras na sua Igreja. Contribuir para esse fundo, seria uma tarefa extremamente dignificante para qualquer pessoa, círculo familiar ou de amigos, em qualquer rincão do Mundo onde, porventura, residam ou desenvolvam as suas actividades. Conscientes que o tempo urge para o início dos trabalhos, esperamos que este apelo chegue a todos e seja bem acolhido!

José Luís Rosa Araújo

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