O rito do pã(o) que é feito de nós

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Literariamente, o final do passado ano de 2022 em Viana contou com a apresentação de três livros, em que a Poesia e, ou, os seus autores marcaram presença.

Em 7 de dezembro, como noticiamos em texto anteriormente publicado no Aurora do Lima, foi trazido a público, nos Claustros do Convento de São Domingos o livro “O Amor Como Movimento Sagrado. Do Cântico dos Cânticos ao Cântico de Herberto Hélder”, de Vasco António Gonçalves. No dia 14 de dezembro, na Biblioteca Luís Mourão, da Escola Superior de Educação do IPVC, foi a vez da apresentação em Viana do Castelo dos livros de poemas “o rito do pão” e “o que é feito de nós”, de David Rodrigues.

Destes três livros publicados em Viana, o primeiro, uma tese de doutoramento do Padre Doutor Vasco Gonçalves, aborda, literária e cientificamente, a poesia, um poeta e o sagrado; os outros dois, são novas edições da reescrita de duas obras homónimas dos passados anos oitenta do mesmo autor, o professor e poeta David Rodrigues. Não abordando o sagrado, abordam estes dois livros de David Rodrigues o que de sagrado pode haver no pão e nos nós de que é feito o pão da vida de nós. No dizer do Prof. Doutor José António Gomes/João Pedro Mésseder, responsável pela apresentação destes dois livros na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, em 19 de novembro, próximo passado, o sagrado está no pão e no vinho bíblicos que marcam a poesia de David Rodrigues e, no segundo livro, na água de ressonância materna, onde a obra se forma em gestação no ventre da criatividade.

Podemos dizer que o sagrado pairou na poesia e nas palavras do dezembro, em Viana.

Pelas 15 horas daquele dia catorze, nessa cerimónia de apresentação dos dois livros do poeta e professor David Rodrigues, lembrou, essa tarde, dois outros nomes que, em Viana, marcaram a cultura e o ensino superior: o Professor Luís Mourão e o Professor e Pintor Francisco Trabulo. O primeiro, professor de referência da Escola Superior de Educação, do IPVC, já falecido, autor de diversos trabalhos científicos na área da linguística e da literatura tem o seu nome atribuído à Biblioteca daquela Escola; o segundo, que também já não se encontra entre nós, professor e pintor, marcou a dinâmica dos cursos de Arte da mesma ESE, com obras de referência no mundo da pintura, tendo ilustrado o livro reescrito de David Rodrigues, “o que é feito de nós”.

A cerimónia de apresentação destes dois livros, presidida pelo diretor da Escola Superior de Educação do IPVC, Prof. Doutor Cesar Sá e com a presença da Doutora Teresa Gonçalves, em representação do Presidente do IPVC, foi iniciada com um momento musical pelo duo de instrumentistas (piano e violino), composto por João Teixeira e Luís Nascimento. 

A apresentação dos livros, moderada pela Doutora Lúcia Barros, foi feita pelo Doutor Daniel Tavares e pelo Escultor Hélder Carvalho.

Regressado à casa onde lecionou durante muitos anos, David Rodrigues trouxe duas rescritas de dois dos seus livros (“o rito do pão” e “o que é feito de nós”), “preocupado em reler-se e escrever-se…, no deslumbramento da palavra”, no dizer de Daniel Tavares, que referiu ainda… “o pão tem ritos com tempo e tem um tempo de ritos”, em “terra de mar e água, onde há nós, nós estamos”.

Hélder Carvalho, por outro lado, reforçando o papel das imagens de Francisco Trabulo em “o que é feito de nós”, destacou “ o interesse pela beleza natural associada à contemplação da natureza que no livro se depara”.

“Escritas que tentam descansar de um cansaço relativamente ao lugar-comum, ao desgaste da palavra nos média, no discurso utilitário quotidiano e no discurso político, consubstanciam a poesia de David Rodrigues que pretende ser sempre resgate do cristal da palavra”, comentava o Prof. Doutor José António Gomes/João Pedro Mésseder em apresentação precedente.

Escritas (também pintadas) de terra, de água e de mar, com pão feito de nós e com nós de que o pão é feito, universalizam o autor na particular Viana.

José Escaleira

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