Primeira florista de Viana permanece na mesma família

Maria Helena Alves herdou o negócio familiar. Instalada no número 78 da rua da Bandeira, a florista recebeu o nome da rua e foi considerada pela autarquia vianense uma Loja Memória. Sessenta e cinco anos depois da criação, aquele espaço continua nas mãos da filha do fundador. 

“Esta loja abriu quando eu tinha três anos. Foi fundada pelos meus pais”, revela Maria Helena Alves, de 68 anos. 

O espaço foi criado pelo pai, agricultor e floricultor, para a irmã mais velha da atual proprietária. “Eu vivi aqui. Estou aqui desde os seis anos, daqui fui para a doutrina, para a escola, casei. Aqui criei os filhos e aqui estou e só saio daqui à patada. Quero ficar aqui até ao fim”, diz. Acrescentando “tenho muita tristeza que ninguém vai ficar com isto. Só tenho filhos homens e as noras não querem, as sobrinhas também não, porque é uma profissão de muito trabalho e ingrata”.

Com uma loja aberta, onde não faltam flores e plantas ornamentais, a Florista da Bandeira foi considerada uma Loja Memória pela autarquia vianense. Fundada por Joaquim Alves Oliveira, aquele espaço continua a ser conhecido como a Florista do Joaquim das Flores. 

Aquela que é a primeira casa de flores de Viana do Castelo passa por momentos menos felizes. Maria Helena Alves acredita que “infelizmente, o negócio das plantas vai baixar, porque a crise está aí. Tudo o que seja trabalho de funerais praticamente está na mão dos cangalheiros. Eles é que têm o poder de comprar”, afirma. Acrescentando: “a florista de rua não tem futuro. Vai acabar. A margem de lucro não é suficiente para suportar um comércio. Não ganha o suficiente para fazer face às despesas”.

“É uma profissão que não tem horários e depois um dia não temos flores e vêm muita gente. No outro dia, temos bastantes flores e não aparece ninguém e as flores são deitadas fora”, assegura Maria Helena. 

Se no passado, as flores que vendiam eram produzidas em Portugal, hoje a maioria vem da Holanda. “Antigamente ninguém oferecia plantas. Esta variedade de plantas e de flores começou desde que estamos na Comunidade Económica Europeia (CEE)”, informa. Adiantando que tem clientes habituais. “Tenho clientes de muitos anos. Não é raro, as pessoas entrarem aqui e dizerem que lhes fiz o ramo de noiva. Ainda hoje entrou aqui uma senhora que me disse que lhe fiz o ramo de noiva e está casada há 47 anos”.

O pai de Maria Helena era natural de Celorico de Basto e um apaixonado por flores. “O meu pai era de uma aldeia de Celorico de Basto e gostava muito de flores. E em pequeno, ia à vila para ir buscar flores aos jardins públicos. Estamos a falar de há mais de 100 anos. O meu avó achava que tinha um filho diferente dos outros. O meu pai era um homem muito sensível, muito meigo”, refere.

Apesar da distinção de Loja Memória atribuída pela autarquia, a proprietária da Florista da Bandeira considera que “nada alterou”, apenas é “o reconhecimento pelo trabalho, antiguidade e dedicação de tantos anos”. 

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