Sons efémeros… Conceitos do momento…

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Sidónio Ferreira Crespo

No calendário da vida mais uma gerência temporal se iniciou. O ano de 2023! Aí está ele, a dar os primeiros passos. A gente, cautelosa, a esperar pela sua conduta. Neste deambular da humanidade não me atrevo a fazer afirmações do que, porventura, poderá acontecer, no futuro, porque não sou cartonante, bruxo ou feiticeiro. Limito-me a saber esperar… Não cultivo a crendice. Para a linguagem destes videntes, que respeito, sou um individuo fechado. Fiquei indeciso, neste caleidoscópio do cenário do viver, no tocante ao conteúdo da crônica destinada ao primeiro mês deste ano. Referenciar factos ocorridos no ano findo, no que trouxeram de bom e de mau – a meu ver – mais de mau do que de bom, não chegaria para relatar todas as páginas deste preceituado e valorativo Jornal regional. Cronicamente pensando, inclinei-me, então, para falar, diga-se escrever, sobre o óbvio, porque tudo o que se está a passar no planeta Terra apresenta-se, ao nosso espírito, de uma forma carregada de retórica e interrogações, que as justificações a explicar o injustificado, são, ainda, mais óbvias.

Torna-se difícil, dado abranger uma volumosa panóplia de situações abordar o posicionamento do óbvio, face ao momento presente. Os fumos da abundância do passado já deixaram de esboaçar na esfera terrestre. Repare-se, que a única certeza que temos é a morte e os impostos, visto serem os passos reais da vida, porque a incerteza impera e tem-se tornado um dos obstáculos para o quotidiano das pessoas.

O país está a atravessar um período de grande insegurança quanto à evolução dos acontecimentos mundiais, criando problemas, diariamente, ao povo pagador. Há gentes que já não pagam, porque não podem e a fome está a aparecer com frequência. Para onde continuamos a caminhar? Só o tempo, a partir do movimento desarticulado dos acontecimentos, tanto positivos como negativos, o irá mostrar. O início foi o choque da desvalorização do dólar, face ao euro, que veio dificultar as exportações. Seguiu-se a falência de bancos e seguradoras, aliado a empresas de diversos serviços, na conjugação de aproveitamentos indevidos, perante uma corrupção a vários níveis, assaltos, mortes violentas e todas outras séries de escolhos que veiculam a incerteza do amanhã, agravado pela continuação da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Em consequência de tudo isto nota-se, facilmente, a quebra do índice de confiança da população, que tem vindo a crescer, face ao continuo aumento desproporcionado das coisas sem aparente controlo do Governo.

A palavra óbvio é, também, um tema em ideias que pode tornar-se penoso. O óbvio, por norma, ocorre sem ser esperado e em maioria das vezes não cria um sentimento de agrado, trazendo, antes, desgosto ou infelicidade na presença de algum facto que aconteceu ou que venha a acontecer. A única certeza que temos é a incerteza com que nos defrontamos, na espera de um dia seguinte melhor, mas sem ficarmos vergados à utopia.

Nota. – Esta crónica, por vontade do autor, não segue a regra do novo acordo do ortográfico.

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