O Hospital de Santa Luzia (ULSAM) necessita de uma Sala de Imagiologia de Intervenção com angiógrafo. Uma prioridade já identificada pela Administração e Direção clínica hospitalar. O local para a instalação existe, mas os custos inerentes, rondam os 700 mil e 800 mil euros, e poderão implicar o apoio financeiro do Ministério da Saúde.
Conforme nos explicaram fontes do Serviço de Imagiologia, a angiografia é um arco de raio x que está preso e fixo dentro de uma sala semelhante a uma de bloco operatório. O mesmo permite efetuar intervenções guiadas por RX/angiografias.
“Permite entrar por uma veia ou uma artéria e chegar, com um pequeno tubinho, a todos os órgãos do organismo. Podemos parar e tratar uma hemorragia, evitar uma complicação, desobstruir um vaso, tratar um tumor; isto é podemos bloquear as artérias e as veias que estão a alimentar um tumor”, explicou a fonte clínica.
Pormenorizando, sublinhou que “permite-nos, apenas com um acesso milimétrico numa perna, tratar coisas muito graves como um tumor. Podemos diminuir ou matá-lo, tratar um doente com uma hemorragia grave, como um doente que teve um trauma/acidente e está a sangrar do baço, do estômago e do fígado. Podemos parar o processo sem ter que abrir e operar. É o que se chama tratamento minimamente invasivo”.
Há hospitais centrais que já têm este aparelho. Noutros, como o de Viana do Castelo, de segunda linha, ainda não têm, mas os profissionais “estão a lutar por isso”.
A equipa de Radiologia de Intervenção, contactada telefonicamente, deixou-nos mais algumas informações.
Essa intervenção minimamente invasiva, pode ser feita pelo Serviço de Imagiologia?
Pode ser realizada numa sala para o efeito partilhada pelo Serviço de Radiologia, de Cirurgia Vascular, como pode ser a Cardiologia. É uma sala partilhada por várias especialidades. É essencial para diferenciar o hospital. Permite ter tratamentos mais diferenciados e menos agressivos para os utentes.
Queimar o tumor é algo parecido com a termoablação?
Na termoablação, “queimamos” o tumor com calor, ou seja, uma agulha que emite uma energia térmica-calor; na angiografia vamos por dentro dos vasos e mandamos umas esferinhas metálicas ou através de medicação. Os vasos que irrigam esse tumor vão secar e eliminar a lesão. No fundo, se secar a fonte de água, o lago seca. Na hemorragia onde tem um traumatismo do pâncreas, do baço ou do fígado, e está sangrar, fazemos uma paragem dos vasos. Vamos por dentro. Enviamos umas esferas metálicas ou uma cola e secamos a hemorragia. Se a artéria ou a veia está seca, já não está a sangrar.
É mesmo questão do Ministério da Saúde ajudar os hospitais?
Isto é, no fundo, uma vontade de vários hospitais e, agora, que estamos a começar a lançar novas tecnologias, vários hospitais querem porque é um aparelho muito importante (exemplo as recentes notícias do CHTMAD- Vila Real). Temos a Direção Clínica e o Conselho de Administração que também estão com essa vontade. Agora temos de dar passos para ter essa tecnologia em Viana. Merecemos.
Esta intervenção menos invasiva: implica ou não o internamento do doente?
Alguns doentes são internados, mas é um internamento de curta duração. A intervenção pode ser feita sem anestesia geral. Só com sedação. O doente pode entrar no dia, é preparado e em muitos procedimentos, só dorme uma noite no hospital.
E existe espaço no hospital?
Existe espaço na Radiologia para fazer a sala. Precisamos é do apoio do Ministério e da ARS para termos a verba. No global, é um projeto na ordem dos 700 a 800 mil euros. Só que é muito importante para fornecer tratamentos diferenciados aos doentes de Oncologia aqui de Viana e para tratar doentes muito graves com hemorragias/traumas. É um aparelho essencial! Muitas vezes temos estes doentes que vão em emergência para o Porto -Hospital S. João/H. VNGaia. Se tivéssemos isso cá não era necessário irem muitas vezes. No Hospital de Braga há um que só está a ser usado pela Neurorradiologia. O Minho basicamente está muito a descoberto!
Braga e Guimarães também não têm oferta, nós temos vontade e equipa, mas nenhum aparelho!
