Vladimir Putin e Elena Aiello

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manuel ribeiro

Quando, em fevereiro do ano passado, Putin, o eterno presidente-autocrata da Federação Russa, ordenou que as suas tropas invadissem a Ucrânia, dando início a uma guerra que está prestes a completar um ano de incontáveis mortes e feridos (para ambos os lados) e a uma já enorme destruição de bens, entre casas e edifícios públicos e muitos deles históricos e de insubstituível beleza, – em Fevereiro de 2022, dizia eu –  um caríssimo amigo pessoal, vindo das saudosas “lutas” políticas da década de 70, perguntou-me, visivelmente preocupado: “O que me dizes desta guerra na Ucrânia? “. 

Este facto terrível, como são todas as guerras, sabe-se como e quando começam, mas não se sabe como e quando terminam. Para além disso, era notória a diferença abismal entre a poderosíssima Rússia e a pequenez armamentista e populacional do país cobardemente invadido, tendo em conta, ainda, os casos conhecidos da perda de independência da Ucrânia, nos tempos de Estaline e da União Soviética, e a invasão muito recente da Crimeia, em 2014, que acabou por ser anexada, aliás roubada (o Anschluss da Áustria e dos Sudetas nos tempos do Hitler, em 1938). 

De modo que, eu lhe respondi com dois exemplos da história antiga, factos que me impressionaram fortemente, era eu um juvenil estudante. E que casos eram esses? O duelo entre o gigante Golias e o jovem e enfezadinho David. Este com inteligência e destreza, aquele com força bruta, mas mais estúpido que penedo granítico. O outro caso da história ocorreu na Grécia antiga, um conflito bélico entre duas cidades-estados: a democrática e filosófica cidade de Atenas e uma outra cidade chamada Esparta. O povo espartano era constituído por uma comunidade super-disciplinada, militarista e, portanto, arrogantemente belicista. Foi uma guerra civil encetada por Esparta que não suportava a hegemonia de Atenas, não só na Grécia como naquela região à volta do Mar Egeu. Atenas, chefiando a Liga de Delos, tinha ganho as guerras Médicas (ou Guerra Greco-Persas ou Guerras Medas). Todas as guerras, como é sabido, enfraquecem os beligerantes, duma maneira ou de outra, e essa foi uma das causas de Atenas ter perdido a chamada Guerra (civil) do Peloponeso. Mas Esparta, obviamente muito enfraquecida, apesar de vencedora, também não conseguiu segurar a Grécia, que, a seguir, foi dominada por Filipe II da Macedónia. As guerras, quando motivadas por objetivos de poder ou interesses de qualquer natureza ou mesmo por rivalidades religiosas ou familiares e tribais, nunca trazem bons resultados. Pelo contrário, são causas de muitos sofrimentos para a humanidade e também para o nosso planeta. As guerras de defesa são um mal menor ou um mal necessário, mas sempre um mal. 

Vladimir Putin foi formado nos conceitos totalitários da União Soviética e nas doutrinas extremistas do comunismo leninista-estalinista. Na queda estrondosa da URSS (princípios da década de 90) já era um oficial do KGB, a terrível polícia política soviética.  O retrato que Vasco Pulido Valente fez, em 2015 (no jornal Público) a Vladimir Putin é certeiro: “O autocrata de hoje (na Rússia) já não é Nicolau II, nem Lenine, nem Estaline, nem Khruschev, nem Brejnev. É um antigo membro da polícia secreta e, por consequência, um dissimulador, um mentiroso, um torcionário e um assassino”. Agora, se vivo fosse, o nosso historiador teria acrescentado, muito provavelmente, que Putin é um genocida.

Seja como for, a guerra na Ucrânia, apesar das previsões iniciais, tem mostrado a heroica resistência do povo ucraniano e evidenciado a valentia do enfezado Volodymyr Zelensky. Mas… por quanto tempo mais este doloroso impasse se prolongará? No atual mundo global, toda a Humanidade vive, dia a dia, este conflito sangrento, sofrendo as dores dos ucranianos e aguentando, desesperadamente, as consequências nefastas para a economia (carências e preços cada vez mais elevados na energia, nos produtos em geral e, sobretudo, na alimentação). A preocupação é cada vez maior. Não admira, pois, que sejam ressuscitadas em catadupa, nas redes sociais, as mais terríveis profecias, antigas ou modernas, sobre a Rússia. Se tiverem curiosidade, consultem: Apocalipse, Nostradamus, Baba Vanga, Garabandal, Fátima (o terceiro segredo, que muitos sustentam ainda não ter acontecido) e a mística Elena Aiello, uma freira italiana da Calábria, que faleceu aos 66 anos, em junho de 1961, apresentando medonhas referências sobre a Rússia e o Mundo. 

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