Elisabete Pinto ssumiu a presidência do Teatro do Noroeste – CDV no pior momento, quando muitos não acreditavam na continuidade da Companhia. Agora, o teatro em Viana está mais vivo do que nunca e o CDV é um pliar forte da cultura na região. A AURORA DO LIMA esteve com ela para uma conversa, cuja primeira parte publicamos na última semana. Fica agora a conclusão.
Há um trabalho no domínio do documentário , com incidência num conjunto de entrevistas a velhos trabalhadores dos ENVC, gente que teve uma vida recheada de estórias de grande riqueza. Fala um pouco disso.
Só posso dizer que tem sido um privilégio corresponder a mais um desafio aceite pelo presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa. Colaborar com o Flávio Cruz e o Luís Lagadouro na realização do documentário, tem sido uma experiência única, e da qual levo toda a gratidão, a de entrevistar pessoas intimamente ligadas à história da construção naval em Viana do Castelo. Pessoas incríveis e com um vínculo simbólico com os estaleiros que me faz pensar que o resultado será, em si mesmo, um objeto de memória digna também do serviço público que gostamos de pensar que corporizamos no Teatro do Noroeste – CDV. Foi apresentado esta segunda-feira, no Teatro Municipal Sá de Miranda, o documentário Casa ENVC Instantes e Memórias.
O Teatro do Noroeste – CDV assinou um contrato com a Câmara para exploração do espaço do Café Concerto. Mais uma preocupação, mais um encargo de alguém que tem apostado sempre em ser útil e fazer melhor. Está a ser um risco (risco é sempre) ou até nem está a correr mal?
É um risco, mas um risco consciente e que se tornou necessário. Com a concessão por parte do Município de Viana do Castelo do Café Concerto do Teatro Municipal Sá de Miranda, o Teatro do Noroeste – CDV encontra-se a dinamizar também este espaço, com animação cultural, serviço de cafetaria, bar e restaurante. Ainda estamos no início, abrimos em outubro, sendo que é uma responsabilidade acrescida e é necessário algum tempo para percebermos quais os custos e receitas envolvidos. Mas, como em tudo aquilo que fazemos, contamos com o melhor que temos no Teatro do Noroeste – CDV e que são as pessoas, 19 profissionais a tempo inteiro, mais um conjunto de cooperadores e voluntários que dão o melhor de si em prol deste projeto que tem no Teatro Municipal Sá de Miranda e nos seus vários espaços, da Sala Principal, à Sala de Ensaios, ao Café Concerto, o epicentro da sua atividade.
É para nós também uma alegria podermos ser mediadores do usufruto que a sociedade faz do seu teatro-edifício.
Como é que a presidente do Teatro do Noroeste – CDV, a atriz permanentemente requisitada e a mãe dona de casa, com duas filhas, novas, articula tudo isto?
Bom, tudo vale a pena quando a alma não é pequena… Vale mesmo a pena. Sinto-me feliz e realizada profissionalmente: quando estou no palco, sem dúvida mas, às vezes, é preciso estar noutros palcos, e claro, tento fazê-lo da melhor forma possível. De resto, é tudo uma questão de organização, de apoio e de muito amor. Destaco o pilar que são os avós, essa verdadeira instituição dentro da própria família, sempre presentes e disponíveis no quotidiano e educação das minhas filhas. E depois o apoio, o companheirismo e a dedicação de toda uma equipa leal e organizada, com particular destaque para três colegas: a Ana Perfeito e a Raquel Amorim, que comigo partilham a responsabilidade da Direção do Teatro do Noroeste – CDV e o Ricardo Simões, diretor Artístico da Companhia, que é também a pessoa com quem partilho a vida, a família e o teatro.