Foi membro da Comissão Administrativa dos ENVC nos anos de 1975/76, um período muito especial, em que tudo estava a ser feito para que esta Empresa não sucumbisse. Eram tempos de dificuldades económicas; de aprendizagem em novo contexto social, depois da Revolução de Abril de 74; de desafios, por força da construção de navios sofisticados, que resultavam de contratações ainda no tempo do Estado Novo; mas eram tempos de esperança, de novas relações laborais, em que imperava o desejo de que os ENVC se afirmassem como um grande construtor de navios à escala mundial.
Martins Nabais, à época Capitão de Fragata, surge nos ENVC neste tempo muito agitado. Entra na Empresa em Junho de 1975, como delegado do governo para fazer parte da Comissão Administrativa que foi constituída, e assim viver um período que exigia muita determinação, mas também muito consenso e muita arte para gerir relações humanas. E entre as suas atribuições está precisamente a área das Relações Humanas.
Foi curto o seu período nos ENVC. Longe da capital onde morava, situação que exigia deslocações constantes para Viana, não se tornava fácil a sua tarefa, tanto mais que esta se apresentava cada vez mais exigente. Decorrido menos de um ano deu por finda a sua missão. Deixou um rasto de simpatia entre os trabalhadores em geral e, particularmente, naqueles com quem mais se relacionava. Nunca esqueceu os ENVC, que considerava como parte dele também; e em visitas que com alguma regularidade lhe íamos fazendo, tudo queria saber e tudo perguntava. Por vezes emocionava-se, deixando transparecer nostalgia, a par de uma imensa generosidade. Notava-se que gostaria de ter estado mais tempo connosco, mas a vida tem que ser encarada com todas as suas vicissitudes.
Partiu preste a fazer 95 anos. Disse-nos a filha, Graça Nabais, a quem apresentamos sentidas condolências, que partiu como sempre viveu: sereno e amigo. Anos antes tinha perdido a esposa Antonieta, facto que lhe pesou, mas que não o desligou do quotidiano da vida. Que esteja bem, como Homem de bem que era. Um obrigado ao Comandante Loureiro Barbosa pela cedência da foto.
GFM