Desconstrução do Prédio Coutinho foi consignada

O ministro do Ambiente considerou, esta semana, que “chega agora ao fim” o “romance” sobre o Prédio Coutinho/Edifício Jardim, com o arranque da desconstrução, cerca de 20 anos após a decisão de o demolir. Uma empreitada no valor de 1, 2 milhões de euros que deverá demorar cerca de seis meses, cujo ato de consignação foi assinado esta segunda-feira, dia 02. Segue-se a adjudicação do mercado municipal que ali surgirá e que disporá de um estacionamento no subterrâneo, com ligação ao outro ali perto, onde funcionou já o mercado e agora se situam os prédios habitados por alguns dos que, anteriormente, moraram no prédio Coutinho. Prevê-se que esteja concluído em finais de 2023.

Conforme deu conta Cláudio Costa, da empresa alto-minhota a quem foi consignada a desconstrução, que, numa fase inicial, após montagem do estaleiro, terá uma equipa especial de 20 a 30 pessoas a desmembrar o prédio, piso a piso, nomeadamente retirando portas e janelas. Uma demolição gradual que irá implicar uma máquina, com um “braço” de 30 metros, para demolir e “britar” parte do betão, com vista ao posterior aproveitamento deste para o novo mercado. Uma reutilização que, há 20 anos, não era ainda tecnicamente possível.

A “demolição será a alternativa à simples implosão”, explicou o edil José Maria Costa, sublinhando que os materiais serão reciclados para as novas edificações. O autarca garante que o novo mercado será “moderno e funcional”, incentivará a economia local e permitirá novas vivências.

CANDIDATURA A PATRIMÓNIO MUNDIAL
“Sabemos que há coisas que são rápidas, há coisas que sabemos que são lentas, há coisas que imaginamos de são lentas e depois são rápidas, depois há coisas que pensámos que são lentas e afinal são rápidas e depois há o prédio Coutinho”, afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, presente na assinatura do ato de consignação.

Matos Fernandes referiu que “foram 20 anos para fazer cumprir o interesse público e ir ao encontro dos planos” desenhados para aquele espaço, que passará pela construção do mercado municipal, acreditando ser esta “a vontade de uma clara maioria dos vianenses”.
“Foi este grande romance que chega agora ao fim, ou melhor, não chega agora ao fim porque a seguir vai ser construído aquilo que era aqui, o mercado municipal”, afirmou, em frente ao prédio Coutinho para assinalar o início dos trabalhos.

Segundo o ministro — que veio acompanhado pelo secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro — o desaparecimento do prédio Coutinho vai ainda possibilitar a concretização de um desejo da autarquia vianense, o de candidatar o centro histórico a Património Mundial. Aliás, Matos Fernandes não se coibiu de elogios a Viana do Castelo, considerando “magnífico” o seu centro historio e a Rua Manuel Espregueira “a mais bonita” de Portugal”.

PESSOAS ESTAVAM CANSADAS
Ao que apuramos, apenas cinco proprietários não chegaram ainda a acordo com a VianaPolis sobre a expropriação. Muitos optaram por mudar para um prédio nas imediações, uns para a área da marina e outros por receberem uma indemnização em dinheiro.

“O mercado é muito importante para a vida do centro histórico. É um mercado que vai estar inserido no coração da cidade, que vai fazer uma ligação com o jardim público. Vai ter componentes ligadas ao artesanato, aos produtos tradicionais, posto de turismo, serviços públicos e indústrias criativas”, adiantou o presidente da câmara de Viana do Castelo.

“As pessoas já estavam cansadas deste romance. Hoje começa-se uma nova página daquilo que é o urbanismo em Viana do Castelo. Foi logo pensado do início, mas não era possível com o Edifício Jardim. Viana do Castelo tem um belíssimo centro histórico, tem sido objeto de uma grande requalificação e valorização (…). Precisamos de ícones e referências”, justificou José Maria Costa.

Existem – afiança uma fonte dos moradores – ainda duas queixas em tribunal ainda por decidir. Segundo apurámos, não impeditivas do andar de um processo com vista à construção do mercado municipal. Este terá 160 bancas exteriores para o mercado dos produtos das freguesias: no piso 0 situar-se-ão 56 bancas interiores: 12 de pescado, 20 de hortofrutícolas, dois de charcutaria, dois de vinhos, dois de artesanato e 12 de flores. No piso superior irá ficar uma série de atividades ligadas a serviços culturais. Existirão 28 lojas divididas entre dois pisos: 12 lojas (cinco talhos) e duas cafetarias no piso 0; e 16 lojas no piso um.

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