Tempo de Páscoa

A Páscoa que vivemos este ano, continha logo à partida um significado muito especial, era efetivamente chegado o momento da quebra de um jejum longo de dois anos sem visita pascal, tempo esse em que a Covid-19 imperou e impediu que tal celebração, muito querida dos nossos conterrâneos, fosse impossível realizar, mas como diz o refrão “não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe”, felizmente para todos nós tal mal, se não acabou, pelo menos já não é tão maléfico como o era e assim sendo evidentemente houve Páscoa. 

Convém esclarecer que a Páscoa não se resume somente a um ou dois dias de calendário, essa é apenas a Visita Pascal, porque a celebração Pascal tem início no domingo anterior, isto é, no Domingo de Ramos quando é iniciada a Semana Santa. 

Aconteceu isso mesmo na nossa freguesia no Domingo de Ramos, às 08h45, com a bênção dos ramos no cruzeiro do adro. O ato seguinte ocorreu na quinta-feira, às 18h30, a missa da Instituição da Eucaristia e Trasladação do Santíssimo Sacramento para o Altar do Sagrado Coração de Jesus. Na Sexta-Feira Santa, à mesma hora do dia anterior, aconteceu a Celebração da Paixão do Senhor e Adoração da Cruz. No Sábado Santo ou Sábado Aleluia, às 19h, teve início a Vigília Pascal com a Bênção do Lume Novo com a fogueira em frente da porta principal da igreja. A Bênção da Água Batismal aconteceu no momento próprio na Eucaristia. 

O toque dos sinos a anunciar a Ressurreição de Jesus foi executado com mestria pelo nosso conterrâneo João Pinho, mas é importante aqui referir que o seu mestre foi o já falecido Joaquim Rodrigues, o nosso antigo sacristão mais conhecido pelo Quim do Pedro de saudosa memória.

Deste modo chegamos ao desejado Domingo de Páscoa e às 09h, depois da missa, deu-se a saída do Compasso Pascal com destino aos lugares de Troviscoso e Carreço presidido pelo nosso conterrâneo Carlos Miguelote, em virtude do pároco, padre Domingos nos anos pares, fazer a visita pascal na segunda-feira, compasso esse constituído também pelos Mordomos da Cruz, Vítor José Casais Monteiro de Amorim e Manuel Joaquim da Silva Baptista Vale, mais três jovens donzelas envergando o fato regional à lavradeira, como é de tradição, para recolherem o folar e outros donativos e ainda dois rapazes para se ocuparem da campainha e da caldeira. Esta não foi usada este ano devido aos problemas pandémicos.

Na segunda-feira de Páscoa repetiu-se o mesmo cerimonial e a saída do compasso verificou-se à mesma hora, só que desta vez o compasso foi presidido pelo pároco, Sr. padre Domingos e destinou-se como de costume aos lugares de Montedor e Paçô. De referir neste dia, a bênção de uma habitação e a abertura da sede da Junta à visita pascal. Esta atitude da Junta de Freguesia é de louvar por vários motivos, um dos quais é os titulares dos órgãos autárquicos poderem confraternizar comunitariamente na sede do poder local, numa manifestação de paz e amor. Outro motivo interessante é o de todos aqueles que não recebem a visita pascal nos seus lares pelos mais diversos e variados motivos, dispõem aqui do sítio certo para o fazerem e em comunidade.

Devido, uma vez mais, à Covid-19, não foi permitido o tradicional beijo da Cruz, sendo substituído por um gesto, sendo o mais adequado uma vénia. 

Assim foi vivida a Páscoa do nosso contentamento depois de dois anos de interrupção e registe-se a satisfação e a alegria que as pessoas irradiavam. 

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