Neve na Natureza e no coração!

Neve na Natureza e no coração!

Prezado Leitor: já ouviste falar do grande poeta português AUGUSTO GIL, nascido (1873) no Porto e falecido em 1929? Se sim, recordarás talvez que, numa das suas obras memoráveis, “LUAR DE JANEIRO”, existe também um lindo poema “BALADA DE NEVE”. É verdade. De tanto o haver lido, até o sei de cor e não me canso de admirá-lo, por sua beleza! Consta apenas de nove quintilhas.

Qual o tema desse poema? – perguntarás tu. Vou então ajudar-te a descobrir nele o que julgo ser mais apreciável. Pelo título, quer do livro onde está inserido (Luar de Janeiro) quer do referido poema (Balada de Neve) somos conduzidos em espírito para a Estação do Inverno: frio, neve, chuva, vento, tempo cinzento, talvez luar…
Pois bem: o poeta Augusto Gil canta-nos, aí, em verso, o seguinte: – encerrado e talvez sozinho nos seus aposentos (quiçá na Guarda, onde exerceu funções e tem uma estátua) pareceu-lhe, em determinada hora, ouvir um ténue barulho que ele não conseguia bem identificar: talvez chuva, vento, passos de transeuntes… A tal ponto se sentiu impressionado que exclamou em solilóquio: “quem bate assim levemente, em tão estranha leveza, que mal se ouve, mal se sente!?”

Na dúvida e incerteza, o poeta narra-se: “Fui ver; a neve caía do azul-cinzento do céu, branca e leve, branca e fria”… “olhando-a através da vidraça; pôs tudo da cor do linho!”… “Fico olhando esses sinais e noto por entre os mais uns traços miniaturais duns pezitos de criança”… “ e descalcinhos, doridos, a neve deixa inda vê-los, primeiro bem definidos, depois em sulcos compridos, porque não podia erguê-los…

Impressionado por tal visão e condoído com o sofrimento das crianças, o poeta irrompe numa sentida exclamação: – “Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim… mas as crianças, Senhor, por que lhes dais tanta dor, porque padecem assim!? E uma infinita tristeza, uma funda turbação, entra em mim, fica em mim presa! Cai neve na Natureza e cai no meu coração!”

Lindíssimo este poema! Bem haja o seu autor! Admirado ainda hoje! Evoquemo-lo, neste Janeiro e pensemos nas crianças que sofrem! Tantas!!!

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