Diálogo constante com as escolas e os jovens

Promovidos pela associação Ao Norte, em parceria com a Câmara Municipal, têm estado a decorrer, os XXIII Encontros de Cinema de Viana que celebram o cinema. Isto num diálogo constante com as escolas e os mais jovens, bem como a partilha de experiências e projetos relacionados com o cinema e o audiovisual.

Num desses dias, num intervalo da azáfama que tem sido a organização deste evento, encontramo-nos com Carlos Eduardo Viana, fundador e presidente da Ao Norte, bem como coordenador geral do evento.

“Há uma série de trabalhos que, todos os anos, fazemos com as escolas. O CinePoesia é um desses projetos. Temos filmes em salas de aula, debate com os alunos, temos Histórias da Praça, uma série de propostas a apresentar aos professores. Apresentamos aquele projeto que teve como objetivo transformar o poema nos currículos escolares. Pedimos aos professores que trabalhem primeiro com os alunos um poema, transformem-no e depois entramos com o cinema”. O brasileiro Felipe Guerra é o formador que, no âmbito dos Encontros, em 2022,  já esteve na orientação da produção de vários videos escolares.

“Nós não escolhemos as escolas. Todos os anos, no princípio do ano escolar, enviamos uma proposta de programa com todas as ações. Depois as escolas é que se inscrevem. Todas estas, até hoje, têm sido atendidas”, concretizou.

“Qualquer disciplina se pode candidatar. Aqui privilegiamos o Português, Inglês e Francês. Em qualquer das línguas podemos fazer a adaptação do poema. Já o temos feito. Há uma formação prévia dos alunos. Senão também era impossível. Para desbloquear ideias. Tudo o que se vê ali passa por propostas deles”, acrescentou.

“Este trabalho demora, no mínimo, três blocos de 90 minutos. Mais a rodagem. O tempo desta depende muito dos poemas. Há as que se conseguem fazer em dois blocos de 90 minutos. Também depende do próprio tempo que as turmas têm. Uma delas é adaptar os nossos objetivos ao tempo que as turma têm. Isto cada vez é mais difícil porque os professores têm currículos para cumprir e não é fácil. Não há um padrão. Podemos demorar muito mais tempo, e fazer um trabalho mais profundo, ou demorar menos tempo. Fazemos o trabalho que é indispensável.”

O objetivo é criar público para o cinema. “Ao fim e ao cabo, despertar-lhes também o sentido estético e crítico. Entendemos isso sempre numa perspectiva de cidadania. Que entendam o cinema também como um objeto artístico”, sublinha Carlos Viana. 

Este responsável reforça a ideia de que os Encontros estão muito ligados às escolas e aos professores, por isso, é que muitas das atividades têm a ver com a Educação. 

Filmes premiados

Em relação ao público em geral, entre a última sexta-feira e domingo, a secção competitiva Olhares Frontais, proporcionou quatro sessões e 24 filmes que se apresentaram no Teatro Sá de Miranda com uma plateia  bem composta.

Refira-se  que, este ano, houve três prémios: o Primeiro Olhar (oficial), Prémio Cineclubes (patrocinado pelas federações portuguesa e galega de cineclubes)  além do prémio Graça Lobo (cineclubista, formadora de cinema que faleceu em 2022 e acompanhou, durante bastantes anos, os Encontros de Viana, onde foi formadora).

Venceram  Sinestesia (Primeiro Olhar), de Melissa Rodrigues; aluna da  Escola deTecnologia, Inovação e Criação.

Para além do olhar, de Dinis Almeida e Giovana Chiconelli (prémios Cineclubes e Graça Lobo), da mesma  escola, com menção honrosa (no prémio Cineclubes).

E  “A Raia”, de José Mena Estévez, da Escola Audiovisual de Vigo.  

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