NOTAS DE CENA

NOTAS DE CENA

Existe uma relação direta entre festa e teatro. Antes do teatro existir, a festa era o exclusivo ritual de sublimação espiritual praticado pela espécie humana. Desde sempre, a festa responde à necessidade de exorcizarmos medos e contactarmos com o sagrado.

Posteriormente, a partir da música, da dança e da oralidade próprias da festa, nasceu o teatro. E o que nos proporciona o teatro se não, também e primeiramente, a possibilidade de expormos receios e questionarmos o divino? Ao longo dos séculos, teatro e festa evoluíram. Mas a relação umbilical entre ambos mantém-se.

E é fácil reconhecer quanto de festa existe no teatro: desde logo, no teatro há lugar para as pessoas se instalarem e verem o espetáculo. Como na festa. Mas não só. Também pode haver luzes, vozes, música, pessoas, bonecos e objetos coordenados de forma a contarem uma ou várias histórias. E, mesmo que se trate de uma tragédia, no fim do espetáculo batemos palmas. Tal como no fim da festa. Se, obviamente, gostarmos do espetáculo!

E da festa! Mas, inversamente, já é mais difícil repararmos em quanto de teatro existe na festa: e, não obstante, a festa é plena de teatralidade! Cada festa. Todas as festas. Todos os rituais humanos. Desde a missa católica (que é a mais célebre e representada encenação de sempre), passando pelos ritos fúnebres, de casamento e de passagem, até às romarias, o teatro está patente, numa multiplicidade incontável de formas, nas festas de todas as culturas. Quando assistimos a uma missa, a uma procissão solene, a uma procissão ao mar, a um desfile musical, a um cortejo etnográfico ou a uma arruada de gigantones, e estes são (haverá melhor exemplo?) marionetas gigantes, estamos também a assistir a uma forma de festa teatralizada.

A uma representação simbólica que é, também, e ancestralmente, teatro. E quanto maior a carga simbólica de uma festa, mais devoções ela congrega, mais pessoas atrai e mais distintiva ela é para a comunidade. Exatamente como acontece com as grandes peças de teatro.

Ricardo Simões

Diretor Artístico do Teatro do Noroeste – CDV

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