O recomeço das aulas significa para muitos professores afastarem-se das famílias e viverem em condições precárias, mas há quem tenha desistido.
Elisabete Rodrigues desistiu este ano, depois de dois anos a dar aulas em Lisboa, longe dos dois filhos, agora com quatro e 14 anos.
“Coloquei a família em primeiro lugar e abandonei a profissão”, contou à Lusa a professora de Matemática do 3.º ciclo e ensino secundário, uma das disciplinas com mais falta de docentes.
Elisabete viveu num quarto alugado no bairro do Lumiar, em Lisboa, a 400 quilómetros de casa, em Viana do Castelo.
Também de Viana do Castelo, Carla Rodrigues, 46 anos e 20 de experiência profissional, conseguiu ficar este ano perto de casa, no Agrupamento de Escolas de Monserrate, depois de quatro anos numa escola em Agualva-Cacém, em Lisboa.
Também esteve separada dos filhos – agora com 18 e 12 anos – e também viveu em quartos, já que o ordenado de cerca de 1.100 euros não lhe permitia pagar uma renda superior a 350 euros.
Arrendar um apartamento para poder estar com a família é financeiramente inviável, dizem as professoras com quem a Lusa falou.
Quem começa por procurar apartamentos, depressa descobre que “o céu é o limite”, contou à Lusa Vasco Barata, da Chão das Lutas – Associação pelo Direito à Habitação, lembrando que um T0 pode custar 900 euros e um T3 passar os dois mil euros. À associação chegam cada vez mais relatos de professores desesperados.
Lusa