“O passado e o futuro”

“O passado e o futuro”

Há quatro anos atrás, o mundo, na sua imensa complexidade, entendia-se melhor e reunia algumas condições para encontrar soluções minimizadoras dos grandes problemas com que deparava, particularmente no que toca à sua preservação, tão difícil ela era, mas hoje suficientemente agravada.

Há quatro anos atrás, quando os EUA assumiram a sua saída do Acordo de Paris e Trump afirmou que iria propor um plano B para o ambiente, o Presidente Francês, Emmanuel Macrom, respondeu-lhe com uma frase que, parecendo banal, ficará para a história: “não há plano B porque não há planeta B”, querendo dizer-lhe que ou defendíamos o plano anteriormente acordado ou, então, deixava de haver planeta, já que os problemas ambientais estão a atingir um ponto de não retorno à sobrevivência.

Há quatro anos atrás, boa parte das nações, nomeadamente da Europa e da América do Norte, sem esquecer outras, procuravam pontes de entendimento mínimo para combater o terrorismo e tentar dar estabilidade a áreas do planeta assoladas por fanatismos religiosos, com práticas bárbaras, tantas vezes assumidas em direto pela comunicação social.

Há quatro anos atrás, o mundo procurava impor regras nos mercados financeiros e económicos, fazer acordos comerciais, dar mais fluidez à circulação de bens e produtos e tentar socorrer os países menos desenvolvidos, porque, compensá-los, mesmo que insuficientemente, também é uma das suas obrigações, dada a usurpação dos seus recursos naturais ao longo de séculos.

Mas, neste tempo de quatro anos, o mundo entrou em turbulência. As nações ficaram órfãos de um entendimento global mínimo; a diplomacia passou a ser feita na base de tuites; os tiranetes procuraram o caminho da destabilização, da arrogância e do insulto; as questões ambientais assumiram um agravamento preocupante; a paz piorou porque se fizeram acordos espúrios; reverteram-se passos importantes que tinham sido dados no reconhecimento das independências e do direito dos povos a viver em paz; em suma o mundo tonou-se menos respeitável, mais inseguro e pior habitável.

Os próximos quatro anos poderão ser insuficientes para reverter o que de mau foi feito em idêntico período passado. Mas, como está bem provado, o mundo não para na sua caminhada em direção a um mundo melhor. Foi um recuo? Sem dúvida que demos passos atrás. Mas os passos atrás fazem parte da história. O que se deseja é que, com outra gente, os próximos quatro anos sejam passos gigantescos na aproximação dos estados, na unidade dos povos, na eliminação dos males e na construção de um Universo melhor.
GFM

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