Há muita literatura sobre este tema que não vamos aqui abordar por não fazer parte do nosso objetivo. O que desejamos é, neste artigo, chamar a atenção para alguns aspetos que estão a prejudicar a nossa língua e cultura, como, por exemplo, o uso e abuso dos estrangeirismos.
A língua é o elemento essencial de qualquer cultura. O uso da própria língua é uma forma de exercitar a sua cultura e conservá-la. Como escreve E. Zola, “uma literatura não é senão o produto duma sociedade” (Giovanni Ricciardi – Sociologia da Literatura, págs.23,24).
O desenvolvimento linguístico e o aperfeiçoamento cultural são complementares e indissociáveis em diversos aspetos. Do ponto de vista sociológico, a cultura é a totalidade dos bens materiais e espirituais de uma sociedade, ou seja, a herança cultural dos povos, que por difusão, inovação, invenção, etc., a produzem ou modificam geração após geração. O Homem é assim o produtor, portador e transmissor de Cultura (José Júlio Gonçalves – Sociologia, 2º vol., págs. 19,20).
João de Barros, convencido de que um bom costume e vocábulo pode durar mais do que um padrão, escreveu na sua Gramática publicada em 1540: “As armas e padrões portugueses postos em África e em Ásia e em tantas mil ilhas fora da repartição das três partes da terra materiais são e pode-as o tempo gastar; pero não gastará doutrina, costumes, linguagem que os Portugueses nessas terras leixarem” (Luís de Matos – História da Expansão da Cultura Portuguesa no Mundo, págs. 3-41).
Para facilitar a exposição, vamos abordar este tema em vários itens, concluídos numa análise global. Como este artigo será, certamente, publicado em partes, optamos por indicar no próprio texto as fontes bibliográficas.