Linda entre as mais lindas, a cidade está em festa, aparecendo-nos agora engrinaldada de flores e verdes, ataviada com bandeiras e galhardetes, animada do clangor das filarmónicas e do tohu-bohu dos grandes centros movimentados, engalanadas as suas janelas e balcões de formosas e sorridentes senhoras, toda garrida, flamante, luzentíssima ostentando um ar otimista e juvenil que não destoa do porte fidalgo que resulta do antiquíssimo prestigio que lhe advém da sua história, lendas e tradições, dos seus vetustos monumentos e casas armoriadas, da benignidade do seu clima e da beleza das suas paisagens, só comparável à policromia estridente dos trajes das moçoilas que enchem de alacridade o ruidoso arraial destes três dias de romaria e das quais o laureado caricaturista parisiense Victor Lluez disse, que vê-las numfestival etnográfico constitui «uma das maiores alegrias da sua vida, apesar de já ter visto extraordinários espetáculos artísticos».
Do céu azul e lavado que a cobre, da luz de maravilha que a banha, do rio sem igual que lhe beija os pés mimosos, do mar murmuroso que brinda de finas rendas alvíssimas as suas tranquilas praias, da verde montanha que a enfeita e cobre de poesia, dos delicados jardins que a perfumam, do seu ambiente de encantos e seduções ressaltam harmoniosos e agradecidos hinos e louvores à Natureza, por aqui ter despejado a sua opulenta cornucópia de graças e dons os mais raros.
Tudo concorre, pois, a atrair a esta feiticeira terra os turistas já fartos dos grandes átrios dos
hotéis cosmopolitas e quantos gostam de conhecer e apreciar o pitoresco que os pequenos
meios provincianos ainda oferecem aos que os demandam, na ânsia de sensações inolvidáveis…
Pequena nota biográfica de Júlio de Lemos
Em texto que escreveu para o catálogo da exposição biográfica alusiva aos 140 anos do nascimento de Júlio de Lemos, realizada na Biblioteca Municipal, em 2018, dele disse Artur Anselmo: “a vida de Júlio de Lemos foi um exemplo de dedicação às letras, dignidade cívica e devotado regionalismo”.
Júlio dos Reis Lemos nasceu na vila de Ponte de Lima, em 7 de setembro de 1878, e faleceu em Viana do Castelo, em 2 de fevereiro de 1960. Foi Investigador regionalista e Historiógrafo, tendo-nos legado uma vasta e profunda obra publicada ao longo da vida. Escreveu milhares de artigos para a imprensa regional, particularmente para “A Aurora do Lima” e “Cardeal Saraiva”. Foi Diretor da Limiana – Revista Literária Pontelimense; Fundador e Secretário do Instituto Histórico do Minho.
Ainda segundo Artur Anselmo, “o gosto que nutria pela história da região transformou-o num incansável autor de numerosas publicações que integraram os periódicos “Aurora do Lima” e “Cardeal Saraiva”. Dotado de grande rigor científico, contribuiu para o enriquecimento da história local”.
Tem nome de rua em Viana do Castelo e Ponte do Lima