Ponte de Lima em finais do último quartel de Oitocentos

Ponte de Lima em finais do último quartel de Oitocentos

Terra verde, esperançosa, como as águas que rochas galgam, n’uma corrente forçosa. Oh Lima, a quantas vidas deste o ser, saciando a sua sede, para não as ver morrer? A tua fúria, levada no ventre, de uma descarga lá de Espanha, num repente. As cheias, vistas por entre ameias, do que resta do medievo, d’uma guerra finda, a sorte, flor em trevo. As Torres, delas já pouco resta, senão deitar a mão na testa, lembrando saudoso património. As barcas, navegavam no rio, passando gente a fio, de lado para lado. O Água-Arriba, depois de tanto tempo, transportando na barriga, os tendeiros, os que na Feira de Ponte vendiam, ganhando seus dinheiros. Oh Vila, que seis portas tinhas, do entrar e do sair, do Mundo a que pertencias, sonhando no porvir. A Torre de S. Paulo e a Torre da Cadeia, ainda fazem hoje parte dessa tua bela teia. A malha urbana, entrelaçado pelo tempo, é um quadro pitoresco, d’ entre o belo e o burlesco. O palco, anciano, vestido de granito, encerra em suas paredes, as vozes, o grito. D’um tempo, um tempo tardego, que aos Reis expurgou, sem medo. A aurora de 1789, foi coice como bode, no estômago do clero. Os raios no Lima luminoso, d’um conservador sagrado povo, haveriam de rasgar. Muralhas, Torres, feudos, que os faziam cansar. O Mundo, haveria de dar o salto mortal, sem ninguém levar a mal, por mais vil que fosse o pecado. Livre, via-se livre, desacorrentado, o purgatório ia ardendo, ia sendo queimado. A água do rio acoita o fogo, d’um peso herdado pelo tempo, um castigo, um martírio, que manietava o pensamento. Assim, é a vila de Ponte, um postal que se transfigura, entre o rio e o horizonte. Por ela sonha quem quer, se Deus lhe der tempo. 

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