Falar da Páscoa, é evocar o profundo significado que esta festividade religiosa tem para as pessoas e, de forma particular, para as gentes do Norte de Portugal; é recordar vivências de proximidade, de bom acolhimento em casa própria, mesmo daqueles com quem o relacionamento não constitui regularidade, de comunhão em relação a princípios básicos de caráter religioso; em geral, de fraternidade sentida. A Páscoa, como tantas outras festividades religiosas que bem acolhemos, transporta consigo um valor superior, o do aprofundamento da relação entre seres, esquecendo formas de estar díspares, valorizando a conceção de que todos somos iguais como Seres Humanos.
À luz deste espírito, só podemos considerar que a Páscoa é portadora dos valores da paz e do entendimento entre nações e gentes, independentemente de diferenças culturais ou outras. Contudo, é este valor que se teima em não aprofundar. Se é um facto que depois da segunda guerra mundial só tivemos conflitos circunscritos a países e continentes, não é menos verdade que o mundo se apresenta hoje em tons demasiado sombrios; isto no seguimento de uma escalada armamentística, que vai muito além das necessidades para a defesa de espaços nacionais. Vivemos sobre um barril de pólvora que ameaça explodir e pôr fim a tudo e todos; e o que constatamos é que os decisores políticos, aqueles que podem e têm a obrigação de velar por um universo contido, respeitador dos principais direitos dos povos, estão longe de o terem conseguido.
Depois, temos os que, ditatorialmente, não respeitam princípios elementares de convivência e com quem se torna difícil negociar no sentido de fazer a manutenção da paz. A guerra na Ucrânia é disso o melhor exemplo, mas apenas porque está na ordem do dia, porque déspotas sempre os houve e, infelizmente, continuará a haver. Neste século de progresso em que se fizeram as maiores descobertas em praticamente todos os domínios, e que soluções para grandes problemas foram encontradas, dá mal para entender esta irracionalidade que vamos observando. Mas as sociedades são como são. Fazendo cada um a parte que lhe compete, resta-nos a esperança de que a evolução deste mundo que habitamos, suficientemente documentada pela história, continue imparável no seu caminho. É na base deste conceito que desejamos Boa Páscoa para todos.
É justo exarar a nossa gratidão aos que, de uma ou outra forma, contribuíram para esta Edição Especial/Páscoa, particularmente àqueles que aqui anunciam. Felizmente, como os leitores se podem aperceber o “ A Aurora do Lima” dispõe de colaboradores qualificados para todas as áreas em que noticia e opina.
Desta vez, queremos citar os pintores Ricardo Campos e Rego Meira. O primeiro, autor da obra “Estações da Via Sacra”, que ilustra a capa de hoje, e que na sua arte tem Cristo como maior referência, facto que já o levou a expor no Vaticano.
O segundo, artista multifacetado, de grande agilidade no manejo de todos os instrumentos com que desenvolve a sua arte, que nos vem brindando com peças ilustrativas sobre o carinho com que este jornal é aceite, particularmente na sociedade vianense. Hoje, surpreendo-nos com algo de cariz diferente (ver última página).
É um gosto produzir este semanário em parcerias tão sólidas, com gente semeadora da boa e sólida amizade.