Desta vez, com caráter de saudação e para nos trazer aquele abraço amigo, tão próprio deste jornal, ninguém nos visitou. Mas fomos nós fazer uma visita. Sabíamos que o nosso correspondente de Barroselas, o Manuel Costa Pereira, com boas dezenas de anos de serviço à nossa Aurora, como todos gostamos de dizer, tem estado adoentado, com impossibilidades até de nos enviar as notícias da sua terra. E se o sabíamos, até porque por essa razão não esteve presente no encontro que tivemos no passado dia 2 de Abril, estávamos obrigados a bater-lhe à porta, para o cumprimentar, saber da sua saúde e mostrar-lhe a nossa disponibilidade para algo que necessário fosse.
Mas afinal deparamos com um Senhor cheio de vitalidade, e já pronto para fazer o que há tanto tempo vem fazendo, com o amor próprio de todos aqueles que servem este decano dos jornais portugueses em cada recanto do Alto Minho. Costa Pereira recebeu-nos com sentida satisfação e, para que esquecimentos não houvesse, brindou-nos de imediato, com exemplares de dois livros que editou com abordagens a Barroselas. O primeiro, “Toponímia de Barroselas”, editado em 1998, com um levantamento exaustivo sobre todos os espaços da sua freguesia. O segundo, “A família da Foz”, um trabalho minucioso sobre a genealogia da vasta família a que pertence.
Depois, foi a cavaqueira a que ninguém se furta, porque essa faz parte de todos nós. Do muito que disse, com brilho nos olhos e memória bem certeira, desfiou histórias com graça sobre a sua condição de correspondente. Quando lhe perguntamos quanto mais tempo ainda iríamos tê-lo como colaborador, foi de resposta imediata: julgo que por muitos e bons anos, apesar de já ter passado os oitenta. “Bravo”, dissemos nós, sem nos esquecermos de lhe afirmar: ora, cá está mais uma razão para os nossos 166 anos de existência. Grande abraço, Manuel Costa Pereira.