A Casa das Pedras

A Casa das Pedras

Não se falava doutra coisa até os jornais de Lisboa se referiam a este caso, passado em Viana do Alentejo. 

O que se passa? – o que é isso da Casa das Pedras?

O certo é que um dia, estando a comprar um remédio (na farmácia do Horácio) – uma mulher, de meia idade, entra no estabelecimento, chorosa, um consolida, a queixar-se de uma grande dor, porque, ao passar, nessa referida casa, mesmo na rua, levou com uma grande pedra nas costas sem saber de onde. 

O Doutor Garrido, de pernas altas e Samarre, com o seu estojo médico debaixo do braço entrando na Farmácia – na altura – virou-se para a mulherzinha e perguntou-lhe: ora mostre-me lá o sitio onde foi ferida? ; Sabe quem foi? De onde partiu a pedra?

Observou-a, no local, dizendo: – isso passa com um pouco de tintura!…

Parece impossível! – a Câmara e as Autoridades locais da Guarda Republicana, nada fizeram até hoje. 

Se fosse eu que mandasse, acabava com esta “fantocheira” de um momento para o outro!…

O certo é que à noite, na minha casa, pelas nove horas, já estava bastante escuro, de candeeiro na mão, foi abrir a porta a quem batia com força.

Era o Doutor Garrido, médico do povo, porque havia um outro, mas pago pelo Estado, ou pela , não sei, que exerciam clinica naquele lugar tão longínquo..

Olhe, professor Alcino, desculpe a esta hora vir incomoda-lo, mas, a verdade é que recebi esta

Carta de Presidente da Câmara, que mais ou menos diz isto:

Como vim a saber que Vº Ex se referiu a mim e a outras entidades que, por si, acabava já o

Caso da “CASA DAS PEDRAS”, o que inclusive tem posto esta Vila “no ridiculo” e até agora ainda não resolveu o caso, peço então, a VºEx para o fazer, como afirmou – ficar-lhe – 

Eramos muito gratos, et ete e tal!…

O que pretende é ir, amanhã, com um grupo de amigos e consigo também, fazer uma visite a essa casa de que tanto se fala. 

– Posso contar consigo?

– Sim! Pode contar comigo!… mas, ó diabo a essa hora tenho de dar aulas – mas falto, paciência.

A minha mulher, nessa altura, ouvindo a conversa disse:

Olha lá no que te vais meter!… dizem pra-i que ele é do contra!; que é contra o “Salazar”?!?

E, o padre Gil sugeria que aquilo é obra do “Diabo”!

Couta-se também que a Câmara recrutou “dois guardas – republicanos” e, eles, com espingardas, sentados na cozinha da Casa, levaram com umas pedras na cabeça; surgindo escavacando o telhado, e ,“ala que se faz tarde”, com as espingardas na mão”, fugiram pela porta da frente.

Ao outro dia, um fila, com alguns amigos, inclusive o caçador “Xico da Serra”, lá fomos observar a casa das pedras.

Entramos e vimos, sentados e encolhidos, alguns habitantes, no interior do prédio, com dezenas, serão, centenas de pedras espalhadas pelo chão, em varias….

O Dº Garrido, observando, mandou reunir toda a gente e em voz alta disse:

Aqui não há bruxaria nenhuma. As pedras são reais. São de serra e foram atiradas por mãos d’homem. 

Alguém está interessado em correr os habitantes desta casa para tomarem conta dela!…

Daqui em diante, ninguém toca nelas. Vou mandar vir especialistas para verificar as impressões digitais das referidas pedras que foram atiradas e depois veremos!

Vamos embora que isto é tudo uma “palhaçada”!

E, na verdade, constou-se, mais tarde que alguém, com posses, pretendia a casa, e teremos anexos, para construir uma fábrica de “moagem”…

Seria? Não seria? – numa mais se falou no caso da CASA DAS PEDRAS.  

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