O termo “corrupção”, do latim corruptos, significa quebrar e manter o quebrado em pedaços (através da calúnia). A definição do verbo “corromper” do latim e grego é “tornar-se podre na calúnia e manter o podre ou caluniado no poder do corrupto e corruptor”. A palavra foi usada pela primeira vez por Aristóteles e, mais tarde, por Cicero, que acrescentou ao termo o conceito de suborno e abandono de bons hábitos.
“A palavra corrupção, segundo Marcos Silva, denota decomposição, putrefação, depravação, desmoralização, sedução e suborno”. Normalmente, associamos corrupção a um ato ilegal, no qual dois agentes, um corrupto e um corruptor, travam uma relação “fora da lei”, envolvendo a obtenção de propinas. O senso comum identifica a corrupção como um fenómeno associado ao poder, aos políticos e às elites económicas. Poder que possuem para extorquir renda daqueles que teoricamente corromperam a lei, ultrapassando o sinal vermelho ou não pagando impostos.
Tanto a ideia de corrupção, como as suas inúmeras definições envolvem a noção de legalidade e ilegalidade. Segundo Silva, “a definição do que é legal e ilegal é considerada pela história e pelo conjunto de valores da nossa sociedade”. A corrupção pode ocorrer em escalas diferentes. A pequena corrupção acontece, por exemplo, por meio da troca de pequenos favores ou presentes. Esta prática é comum em países em desenvolvimento.
A grande corrupção ocorre nas altas esferas do governo e abrange sistemas políticos, jurídicos e económicos. Esse tipo de corrupção é comum em ditaduras e governos autoritários, e também em governos sem policiamento adequado. A corrupção continua a ser muito difícil de ser investigada e julgada pelas autoridades legais.
No mundo atual as pessoas parecem ter perdido os seus princípios, tudo está relativizado. De modo geral, em muitos países, existe uma “cultura” de impunidade para os corruptos. Não há o retorno do que é roubado. “As instituições públicas precisam de ser mais abertas sobre o seu trabalho e os funcionários devem ser transparentes em suas tomadas de decisão”. A corrupção não se restringe apenas a “encher os bolsos dos corruptos”. O seu preço é alto. Um país em que a corrupção está presente deixa de investir altas somas em programas sociais, educacionais e económicos. A passividade e a tolerância das pessoas diante da corrupção, tornam-nas também responsáveis por ela.
Há também a missão das pessoas no mo-mento de se tomar uma decisão de ordem ética. Segundo Confúcio: “Saber o que é certo e não o fazer é o pior tipo de cobardia”. Atualmente o significado de corrupção é distorcido ao ser definido exclusivamente como desvio de dinheiro público, pois é muito mais abrangente. Podem ser coisas menos graves: conseguir um atestado médico falso para justificar uma falta ao trabalho, dar uma gorjeta a um polícia para não ser multado, etc. A corrupção é um mal sociocultural, o que não significa que estejamos fadados à sua permanência. E podemos extirpá-lo.