Meu admirável e admirado Almeida Garrett (1799-1854 ) – luminoso introdutor do Romantismo português: com teus restos físicos jazentes no Panteão nacional mas com teu legado cultural gravado indelevelmente na nossa memória patriótica , venho mais uma vez recordar algumas das tuas pegadas…
Ainda hoje, há tantos e tantas que, como tu, deixaram cair as penas das “Asas brancas” que tinham e nunca mais puderam “voar ao céu”…!
No teu belíssimo poema “ Minhas Asas “, elogiaste poética e metaforicamente a Fé e Inocência, colhidas por ti no contacto vivencial com teu tio-bispo açoreano… Falavas das tuas “asas brancas”, que te permitam quando “cansado da Terra”, batê-las e voar ao céu…!
Nem a “cobiça da Terra” nem a “ambição de Grandezas” lograram serem moeda-de-troca por essas asas…
Infelizmente, porém, Garrett, passaste – como todos nós passamos na vida – por uma “noite sem lua”, admiraste as estrelas que te chamavam para as Alturas, mas fixaste o teu olhar em estrelas-cadentes-terrestres que te pareciam mais belas que as outras e começaste a sentir mais pesadas e inamovíveis ou caducas as tuas asas.
Por fim, infelizmente, essas asas foram caindo uma a uma e nunca mais voaste ao céu…! Passaste então a vogar ao sabor das ventanias…!
Mas não perdeste toda a Luz…! Ainda bem, caro Garret!!
Por tudo isso, bem hajas e repoises eternamente feliz!!