Sou tão velha como o tal pecado
que escondeis bem dentro de vós,
e o meu corpo é quase sagrado
pois foi amanhado pelos vossos avós.
Por mim tanto eles lutaram
e tudo fizeram para me dar vida.
Agora, abandonada, esquecida,
sou grande pesadelo para alguns de vós.
Não falar de mim muito importa
porque o falso esquecimento dá jeito assim.
Mas, se eu estou perto da vossa porta
por que vos esqueceis tanto de mim?
Faltam os valentes dos tempos idos
que davam a vida pela verdade,
aqueles seres que deixam saudade,
se enfrentavam para alcançar um fim.
Não estando só eu estou sozinha,
sinto o desinteresse, o abandono,
vou tendo em mim a sorte minha
e deixo-me embalar em agitado sono.
Não me trateis de filha adotiva
nem me lembreis a vossa sentença,
cá fico com esta sorte, altiva,
mas, tratai-me apenas de velha “Olivença”.
Eugénio Monteverde