25 de Abril lembrado em painel no Encontro da ANIR

A AURORA DO LIMA RECONHECIDO DURANTE O EVENTO

Imprensa, Revolução e Democracia foi o painel que o Encontro Nacional da Imprensa Local e Regional cuja responsabilidade coube à Comissão Comemorativa dos 50 anos de Abril.

Maria Inácia Rezola, historiadora e comissária executiva das comemorações interveio para sublinhar o apoio popular que as comemorações motivaram, desde logo com 200 mil pessoas a participarem nas mesmas só em Lisboa. Enumerou dados que referem 73% do apoio da população às comemorações e 65% o de considerarem o 25 de Abril de 1974 como a data mais importante da História de Portugal.

Durante quase meio século ninguém podia escrever nem falar em liberdade durante 48 anos (até 1974) e a oradora destacou que comunicação social e democracia são indissociáveis e que, com o 25 de Abril, se passou de uma situação de ditadura para o processo revolucionário, não desparecendo por completo as situações do pdoer politico para controlar a informação. Porém, a censura (depois chamada exame prévio) caiu.

Inácia Rezola considerou a “primavera marcelista”, entre o desaparecimento de Salazar e antes do “25 de Abril”, como a “época dourada” do jornalismo, com o surgimento de títulos importantes na Imprensa, como o Expresso, e o surgimento de muitas mulheres nas redações.

Dois terços do jornalistas nunca sabiam o que era trabalhar em liberdade, apontou Carlos Camponês, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, referindo-se ao período da Imprensa na sequência do 25 de Abril, em que também a Imprensa Regional assumiu especial relevância.

Camponês falou da comunicação social em democracia, dos novos projetos, e das rádios piratas nos anos 80, antecessoras das atuais rádios locais, e as mudanças sociopolíticas que se verificaram nas várias regiões do país. Nos anos 80 e 90 foram criados mais órgãos de comunicação social que em todos os períodos da ditadura, observou.

Apontou como um um dos erros da maioria da Imprensa o de “abrir” todos os conteúdos que colocavam online.

Um dos desafios que se colocam num mundo em que “todos gritam”, referindo-se, inclusivamente, à proliferação dos “novos media sociais” no digital.

Assinalou, ainda, que o grupo etário onde está a aumentar mais, em termos percentuais, o consumo da informação digital é na população com mais de 65 anos.

Após esta intervenção foi entregue uma recordação, em nome dos colegas da Direção da ANIR uma lembrança de reconhecimento a Eduardo Costa pelo seu trabalho.

Foi revelado que a comissão das comemorações dos 50 anos atribuiu um total de 5 mil euros para a ANIR atribuir três prémios com trabalhos sobre o Encontro.

Foi ainda entregues a representantes de 101 jornais presentes, entre os quais A AURORA DO LIMA, um Reconhecimento “pelo contributo para a construção do Portugal democrático, no serviço público que prestou, presta e prestará, essencial enquanto jornal de informação de proximidade, assegurando, nas suas comunidades, o fundamental direito de informar, de se informar e de ser informado“.

Foto: Carlos Camponês durante a sua intervenção

Fundado a 15 de dezembro de 1855, tem como objetivo principal a defesa intransigente dos interesses e das reivindicações legítimas das populações, e do progresso económico, cultural e social da região onde se publica.

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