A vice-presidente da Comissão Política Distrital do Chega de Viana do Castelo, Natividade Barbosa, anunciou hoje que se afasta do partido, por aquele adotar práticas de “corrupção e o compadrio”. A dirigente acusa os dirigentes do partido de fazerem as listas às legislativas para “pagar favores”.
Em comunicado, Natividade Barbosa refere que “durante cinco anos, lutei incansavelmente pela implantação e afirmação do Partido Chega no distrito de Viana do Castelo. Enfrentei agressões físicas, difamações, ataques internos e externos – provenientes de pessoas mal-intencionadas, contrárias ao partido e até de elementos internos que, infelizmente, colocaram os seus interesses pessoais acima dos princípios que diziam defender. Mesmo assim, mantive-me firme, porque acreditava sinceramente que o Partido Chega representava a única e verdadeira oportunidade para combater o sistema de corrupção instalado há mais de 50 anos em Portugal”.
Para esta vianense, “o Partido Chega que se diz contra a corrupção e o compadrio, adota exatamente as mesmas práticas que diz combater. Ignora quem lutou desde o início, quem esteve presente nas ruas, nas lutas e nos momentos difíceis, para promover pessoas com currículo político duvidoso ou que veem na política apenas uma plataforma para os seus objetivos pessoais”.
Natividade Barbosa aponta o nome de Mecia Martins como número dois na lista às Legislativas de 18 de maio. “Apresentei toda a documentação exigida pela Direção Nacional – situação regularizada perante a Segurança Social, Finanças e sem quaisquer processos ativos em tribunal. No entanto, esta exigência, alegadamente intransigente, é pura fachada: o Chega continua a apresentar como cabeças de lista pessoas com dívidas avultadas e processos judiciais, como é o caso de Braga e Castelo Branco, o que considero vergonhoso e uma afronta aos princípios que o Partido Chega diz defender. A surpresa maior, porém, foi o anúncio de que o número 2 da lista seria entregue à senhora Eng. Mecia Martins, de Ponte de Lima, ex-CDS, amplamente conhecida pela população local de Ponte de Lima – não pelas melhores razões. Recorde-se que a sua atuação enquanto Vice-Presidente da Câmara de Ponte de Lima quase comprometeu a continuidade das Feiras Novas, evento de profundo valor cultural para os Limianos. Tal decisão apenas demonstra o que venho denunciando: a falta de coerência, o compadrio e a crescente luta pelo poder pessoal, em detrimento de quem verdadeiramente acredita no projeto Chega e na regeneração do sistema político português”.
A ex-dirigente desvinculou-se do Chega em 02 de abril, depois de ter sido convidada para integrar a lista às eleições de 18 de maio, mas em terceiro lugar. “Recusei de imediato, pois felizmente não preciso de migalhas e nem de mendigar, vivo bem com o meu trabalho, felizmente. Depois de tudo o que entreguei ao partido – da construção da base local até à presença nas ruas quando ninguém queria dar a cara – não aceitaria ser colocada atrás de quem nunca lutou nem construiu o que quer que fosse pelo Chega no distrito de Viana do Castelo”.
No comunicado, Natividade Barbosa salienta que a escolha de Eduardo Teixeira, nas últimas legislativas foi “resultado de um pagamento de favores a André Ventura, desde os tempos em que este era deputado único na Assembleia”.
Natividade Barbosa termina assegurando que “não compactuo com sede de poder, com traições nem com jogos de bastidores. Tenho valores e princípios que me foram incutidos desde criança, sobretudo pelo meu pai – Ermesindo Barbosa, de Paredes de Coura, recentemente falecido – que me ensinou o que significa ser minhota: ter palavra, ter honra e nunca vender os próprios valores”.
