A peça “As Aves”, coprodução das Comédias do Minho com a mala voadora, integra a programação da 42.ª edição do Festival de Almada, com cinco apresentações entre os dias 09 e 13 de julho, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Com encenação e texto de Jorge Andrade, a partir da obra-prima de Aristófanes, o espetáculo assinala, nesta apresentação, o encerramento da sua digressão nacional.
Depois de estrear no Vale do Minho e de percorrer os cinco municípios que integram as Comédias do Minho – Valença, Vila Nova de Cerveira, Melgaço, Paredes de Coura e Monção -bem como o Centro Cultural de Lagos, “As Aves” encerram o seu percurso no CCB, integradas num dos festivais de teatro mais reconhecidos do país. Com um elenco de excelência e uma linguagem cénica visualmente marcante, a peça propõe uma reflexão viva e contemporânea sobre o poder, a linguagem e a ambição, cruzando teatro, música e dança numa composição simultaneamente poética e política.
Inspirando-se num texto com mais de dois mil anos, Jorge Andrade revisita a figura de Pistetero, o homem que convence as aves a fundarem uma cidade no céu para preservar a sua forma ideal de vida. O que começa como uma utopia partilhada transforma-se, progressivamente, numa nova ordem centrada na figura do próprio Pistetero. Através da sua retórica sedutora, instala um poder absoluto, sendo tomado pelas aves como uma nova divindade. Nesta encenação, o poder da palavra assume um lugar central — o verbo bem dito transforma-se em força criadora. Com figurinos exuberantes que evocam o universo animal e uma musicalidade presente em toda a estrutura dramatúrgica, “As Aves” questiona, com ironia e imaginação, as fronteiras entre o humano e o não-humano, entre liberdade e domínio, entre ideal e excesso.
A peça conta com encenação de Jorge Andrade e cenografia e figurinos de José Capela, com interpretações de Cecília Matos Manuel, Cheila Pereira, David Pereira Bastos, Luís Filipe Silva, Maria Jorge, Pedro Moldão, Sara Costa e Tiago Barbosa. A luz é assinada por João Fonte, que assume também a direção técnica, em conjunto com Vasco Ferreira. A sonoplastia é de Sérgio Delgado e a criação musical para as aves é de Miss Suzie. A produção é das Comédias do Minho e da mala voadora, com coprodução do Centro Cultural de Belém e do Centro Cultural de Lagos.
