Laboratório Orquestral promove em Viana formação de novos maestros com intercâmbio internacional

Um laboratório orquestral de formação intensiva está a decorrer ao longo desta semana, reunindo cerca de 60 jovens músicos, entre os 13 e os 18 anos, e vários alunos de direção de orquestra, num projeto que aposta simultaneamente na qualificação artística e no intercâmbio internacional.

A iniciativa funciona em regime de estágio, com ensaios diários entre segunda e sexta-feira, ocupando cerca de sete horas de trabalho por dia. O processo inicia-se com ensaios por naipes, envolvendo cordas — violoncelos, violas d’arco e contrabaixos — e sopros, divididos entre madeiras e metais. Numa fase posterior, os grupos são reunidos até à formação orquestral completa.

Segundo o professor Luís Azevedo, responsável pelo acompanhamento pedagógico e logístico do projeto, este método permite que todos os músicos esclareçam dúvidas técnicas antes do ensaio geral, garantindo uma junção mais eficaz de todas as partes musicais.

Um dos principais objetivos do laboratório é a formação prática de novos maestros. Ao longo da semana, alunos (maestros que vieram aperfeiçoar a sua formação) de direção de orquestra — maioritariamente estrangeiros — têm a oportunidade de dirigir uma orquestra real, algo que, segundo o docente, é raro nos percursos académicos tradicionais. “Os alunos aprendem a partir da partitura, mas muitas vezes não têm contacto direto com os instrumentos e com a dinâmica real de uma orquestra. Aqui, essa experiência torna-se possível”, explica.

Os músicos da orquestra são alunos da Escola Profissional de Música de Viana do Castelo (ARTEAM), enquanto os formandos de direção são portugueses e de países latino-americanos, promovendo um ambiente de intercâmbio cultural e artístico. Os professores e maestros envolvidos são portugueses, com experiência nacional reconhecida.

O projeto é pontual e conta com o patrocínio da DGArtes, não estando ainda confirmada a sua repetição em futuras edições. No entanto, a organização sublinha a importância deste tipo de iniciativas para a renovação artística e para a criação de oportunidades reais de prática profissional. Trata-se de uma formação intensiva, centrada na prática, na pedagogia e no trabalho com orquestras juvenis.

O trabalho desenvolvido ao longo da semana culminará num concerto final aberto à comunidade, onde será apresentado o resultado do laboratório e do trabalho conjunto entre músicos e maestros em formação, no Teatro Municipal Sá de Miranda. É o Concerto de Encerramento do Laboratório de Direção de Orquestra Juvenil e Estágio da Orquestra Sinfónica da ARTEAM que está marcado para o próximo sábado, dia 17, às 18h.

Formação de direção orquestral

Diogo Costa é, com Alberto Roque, um dos maestros formadores que, atentos, corrigem um ou outro pormenor dos e das que estão em formação na direção de orquestra: dois portugueses, dois brasileiros, um uruguaio e um salvadorenho. Tudo em contexto de formação de direção orquestral e de preparação do concerto final. No espetáculo que decorre no sábado, cada um deles dirige uma peça de um dos três compositores que integram a apresentação (Beethoven, Moncayo e Freitas Branco), sublinhando o avanço que a Europa já mostra na área da música.

Destaca ainda o ensaio e as experiências que o evento proporciona, designadamente no modo como os músicos interpretam e reagem às indicações dadas.

Maior exigência

O brasileiro Gabriel Dellatorre, um dos formandos, destacou a parceria entre a DGArtes e a sua homóloga brasileira (FUNARTE) que lhe permitiu esta vinda Portugal. Aqui, garantiu, foi muito bem recebido por alunos, pela equipa da escola e, mesmo antes de chegar, também sentiu o “apreço, delicadeza e empenha para que nada lhe faltasse por parte da DGArtes”.

Dalletorre sublinha também a possibilidade que esta iniciativa possibilita, designadamente no domínio da aprendizagem e da troca de informações. Frisa que há ainda muita informação para permutar entre Portugal e o Brasil, admitindo que na Europa há uma exigência muito maior.

Seguir carreira na música

Daniel Gonçalves frequenta o 10º ano é um dos alunos (violino) da ARTEAM que foram envolvidos neste Laboratório. À Aurora do Lima confessou sentir que “é oportuno poder estar com vários maestros, mãos e movimentos diferentes”. Conforme nos explicou, cada maestro tem as suas particularidades em dar as indicações que os músicos têm de se habituar a percecionar.

O jovem destaca também o facto de o reportório integrar bastante diversidade, com Beethoven (música erudita), Moncayo (latina) e Luís Freitas-Branco (para mostrar “a nossa cultura”, o que traz vantagens, pois o evento permite uma adaptação ao maestro e ao compositor. Na oportunidade, mostra-se convicto em seguir uma carreira ligada à música. Gostava de seguir instrumento ou outra vertente, admitindo uma oportunidade como solista, músico de câmara ou de orquestra ou, até, de diversas orquestras. Outra saída profissional poderá ser, aponta, a de técnico de som.

Jornalista natural do distrito de Viana do Castelo com um percurso, sobretudo, pela Informação Regional. Exerce funções há cerca de três décadas no A AURORA DO LIMA, com foco na atualidade noticiosa vianense e alto-minhota.

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