Na página 18 desta edição, reportamo-nos a uma mesa redonda integrada nas comemorações dos 10 anos do Centro Desportivo Meadela Gym, onde colhemos informação que na notícia damos a conhecer. Da voz de médicos especialistas em matéria de saúde, reforçamos o nosso conhecimento sobre a importância da atividade física na vida de cada um de nós. Hoje, poucos terão dúvidas de que a nossa longevidade reside muito no tipo de vida que praticamos, particularmente em idade avançada. Sabemos, apesar de muitas vezes não o querermos compreender, que a vida de ócio, a má alimentação e algumas práticas não recomendadas, como fumar e beber em excesso, limitam-nos o tempo de vida e diminuem-nos o bem-estar.
A vontade das pessoas é viver até tarde e com qualidade, um desejo legítimo, reconhecido como direito universal. Contudo, viver bastante, mas parte do tempo agarrado a medicamentos, é algo pouco desejável para quem sofre; e penalizador nos custos para o Serviço Nacional de Saúde que, com o passar do tempo, não deixam de se agravar. Alguns dados, suficientemente conhecidos, dizem-nos que, na última década, os custos com a Saúde para o Estado (que somos todos nós) cresceram 70%. Como exemplo, em 2023, a despesa foi de 13.626 mil milhões de euros, mas em 2024 agravou-se para 15,553 mil milhões, um aumento de quase dois mil milhões. A crescer a este ritmo, é evidente que alguém irá sofrer e, infelizmente, a prática diz-nos que, para evitar agravamentos de custos, quem sofre são os cidadãos.
Voltando à conferência com que iniciamos este tema, um comunicador presente, o Dr. Leandro Massada, afirmou que, “dentro de dois a três anos, o SNS não vai ter dinheiro para pagar os medicamentos aos diabéticos”. Mas também foi dizendo que se as pessoas derem 10 mil passos diariamente o risco de demência é menor e acrescentam 10 anos à sua vida. Obviamente, com pouca ou nenhuma medicação para ajudar a viver. Foi ainda afirmado por Marta Massada, médica especialista em traumatologia desportiva, que a inatividade física custa ao Estado 900 milhões de euros ao ano. E que se somarmos os custos com baixas médicas os valores ascendem a 1,5 mil milhões de euros.
Pode dizer-se que estamos perante dados que não nos devem deixar indiferentes. E que boa parte da solução para uma melhor qualidade de vida e da manutenção de um SNS sustentável tem muito ver com o comportamento de cada um de nós, cidadãos, particularmente no que toca ao tipo de vida que fazemos. Boa parte disso todos sabemos. Temos é pouca vontade de mudar comportamentos.
GFM