Politécnico de Viana do Castelo transforma Caminho de Santiago em percurso de aprendizagem e empregabilidade jovem

“E se, em vez de veres a vida através de um ecrã, começasses de facto a viver? E se, em vez de aprenderes só através dos livros, começasses também a experienciar?” Foi este o desafio lançado a jovens portugueses e espanhóis pelo Pegadas, projeto que ao longo de três anos transformou o Caminho de Santiago num verdadeiro laboratório de competências.

Entre novembro de 2023 e fevereiro de 2026, o Pegadas envolveu cerca de 250 jovens. Destes, 158 participaram em nove expedições realizadas em território português e espanhol e mais de uma centena concluiu o percurso formativo. Paralelamente, foi criada uma plataforma e-learning bilingue, atualmente com 240 participantes inscritos.

Inicialmente pensado para jovens entre os 18 e os 29 anos que não estudavam nem trabalhavam, o Pegadas foi posteriormente alargado a estudantes do ensino superior, ampliando o seu alcance e promovendo uma maior diversidade de perfis nos grupos.

Assente nos pilares da Digitalização, Empreendedorismo, Sustentabilidade e Pensamento Crítico, o modelo combinou formação presencial, aprendizagem online e experiências outdoor. O território deixou de ser apenas cenário: tornou-se contexto pedagógico real, com desafios concretos e trabalho colaborativo.

A sessão de encerramento e apresentação de resultados decorreu esta segunda-feira, em Viana do Castelo, reunindo os parceiros portugueses e espanhóis do consórcio: o Politécnico de Viana do Castelo, coordenador em Portugal do Pegadas, a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, o Politécnico do Porto, a Universidade de Santiago de Compostela, o Clúster da Comunicación de Galicia e a Femxa. O projeto foi cofinanciado pelo Interreg VI-A Espanha-Portugal 2021-2027.

Jorge Garcia, coordenador do projeto em Portugal e docente do IPVC, destacou “a forte colaboração entre os dois lados da fronteira”, sublinhando que as nove expedições realizadas demonstraram a viabilidade do modelo, apesar dos desafios logísticos que foram “enormes”.

Ana Paula Vale, vice-presidente do IPVC, afirmou que o Pegadas “foi muito mais do que um conjunto de atividades. É um modelo inovador e híbrido de aprendizagem, com um propósito claro: contribuir para a empregabilidade jovem e mostrar que o território pode ser um espaço de qualificação”.

Os números reforçam esse impacto: mais de 76% dos inscritos encontram-se atualmente empregados ou a estudar. E cerca de um quarto eram desempregados no momento da inscrição. A maioria escolheu o Caminho Central, ficando em aberto a possibilidade de potenciar outras rotas, como o Caminho da Costa, em futuras edições.

Durante a sessão de apresentação das conclusões, os testemunhos de alguns dos participantes demonstraram que o Pegadas é mais do que um somatório de números. É experiência e partilha. Maria Carolina Silva disse que a experiência “mudou completamente” a sua perspetiva sobre o Caminho. “Percebi que podia ser um espaço de crescimento e não apenas uma rota histórica”.

Já Ekaterina Minenko e Artem Kolesmikov, dois jovens russos a estudar em Portugal, referiram que o projeto foi “uma oportunidade de conhecer melhor o país e, ao mesmo tempo, desenvolver competências linguísticas e profissionais”.

Inicialmente pensado só para jovens que não estudavam nem trabalhavam, o projeto foi depois foi também aperta a possibilidade de inclusão de jovens estudantes. Na experiência participaram, por isso, também estudantes como Lara Lopes e Francisca Oliveira, alunas da Escola Superior de Ciências Empresariais do IPVC. Durante a sessão, destacaram o carácter desafiante da iniciativa. “Foi uma aventura que nos obrigou a sair da zona de conforto”, afirmou Lara. Francisca sublinhou “a diversidade dos grupos e a riqueza de aprender em contexto real”.

Na apresentação das conclusões metodológicas, Carmen López, docente e investigadora do IPVC, apontou oportunidades futuras: reforçar a aposta na digitalização e nos negócios associados ao Caminho, diversificar para reduzir a sazonalidade e alargar o modelo a outros itinerários culturais europeus.

Com o encerramento formal do projeto, permanecem disponíveis os materiais, recomendações políticas e ferramentas desenvolvidas, consolidando um modelo de aprendizagem experiencial transfronteiriça que poderá ser replicado noutros territórios.

Licenciada em Comunicação Social pela Universidade do Minho, possui mais de 20 anos de experiência na área do jornalismo.

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