Morreu um pugnador pelo Progresso do Alto Minho
Por vezes, para desanuviar, convidávamo-lo a mudar de tema. Mas a luta dele, o motivo que o movia era o progresso da região Alto minhota. E aí entrava o turismo, como a melhor solução para desenvolver esta região, que progride, mas com lentidão. Mas, para explorar o Setor, era necessário criar condições para que ele se expandisse. Então, vai daí, e insistia por mais e melhor Indústria hoteleira; de praias limpas e dotadas de boas condições; de feiras e festas ao longo de todo o ano, mas cada vez mais criativas e atrativas para proporcionar bons negócios a quem as visitava. Depois, também não esquecia os espetáculos públicos, que tinham que revelar qualidade, e os desportos para gente endinheirada, com destaque para o golfe. E, ainda, os transportes, particularmente os ferroviários, com ligação à vizinha Galiza. O que ele esgrimiu contra os comboios de má qualidade e baixa velocidade!
Era assim Antero Sampaio. Por vezes, não sabia livrar-se da utopia, mas quem se empenha em lutar pelo progresso, por vezes também sonha. Irritava-se quando não se lhe publicava tudo, e rapidamente, o que enviava para o nosso jornal, mas não era homem de rancores e terminava sempre a conversa com o melhor abraço para toda a rapaziada. Agora deixamos de o ouvir com as suas arrelias e de o recebermos em visita amiga quando tinha assuntos a tratar em Viana. E vamos ter saudades dele, tal como temos com tantos que regularmente fazem questão de dar vida à relação familiar que têm com a velha Aurora e depois, inesperadamente, partem.
É bom terminarmos esta nota dando a conhecer uma das muitas peripécias em que era fértil: – Eu sou conservador, dizia numa acalorada conversa. – Nada disso Antero, o conservadorismo acomoda-se, contrariamente ao que de facto és. Tanto lutas pela tua terra, tantas ideias apresentas, tanto escreves para o nosso jornal, tantas cartas envias aos poderes, tanto louvas o teu irmão, Francisco Sampaio, pelo que fez pelo Turismo, particularmente na nossa terra e, então, dizes-te conservador. – Da cá um abraço, é mesmo como dizes. Pelo progresso eu sou um revolucionário. Até sempre, Antero. Descansa, agora numa das campas dos antigos combatentes, como fizeste questão de propor a quem, por mais ou menos tempo, ainda cá está.
GFM
