Filipe Guimarães, que cessou funções como comandante dos Bombeiros de Arcos de Valdevez, disse hoje que “sai em paz” do cargo e que regressa aos quadros da Câmara Municipal para trabalhar na divisão de Ambiente.
Em declarações à agência Lusa, Filipe Guimarães adiantou ter pedido à direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez (AHBAV) para sair no dia 05 de fevereiro, decisão também tomada pelo segundo comandante Sérgio Guimarães.
“Já devia tê-lo feito antes do verão passado, mas mantive-me no ativo. Não saio em conflito com ninguém, saio em paz. Devo ser o único comandante que consegue sair desta casa em paz, está tudo bem. A direção aceitou a minha justificação, que já era do conhecimento deles”, adiantou.
A direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Arcos de Valdevez (AHBAV) anunciou hoje a saída dos dois elementos e revelou estar “já empenhada no processo de identificação de um novo comandante para o corpo de bombeiros”, estando “a ser preparado um inquérito interno dirigido aos elementos do corpo ativo, permitindo que os bombeiros possam partilhar a sua opinião e identificar perfis que considerem adequados para integrar a futura estrutura de comando”.
Filipe Guimarães, que é funcionário da Câmara de Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, alegou que a família e a licenciatura em Engenharia do Ambiente e Geoinformática que concluiu pesaram na decisão.
“Agora tenho outras perspetivas na área da formação que tirei, que é uma área que me fascina. Vou voltar ao município e integrar a divisão do Ambiente, para trabalhar em questões ligadas ao ambiente, à parte das informáticas, sistemas de informação geográfica”, explicou.
Segundo Filipe Guimarães, a saída da corporação de voluntários “foi programada e não foi surpresa para ninguém” e quem o for substituir “tem de ser uma pessoa de total confiança da direção, e tem de trabalhar de braço dado com a direção”.
“Quem não tiver esse princípio não consegue fazer todo o trabalho, nem apresentar trabalho nenhum dentro de uma casa honesta. A minha relação com o presidente sempre foi muito saudável, todos os dias falávamos, todos os dias. Aliás, eu falava mais com ele, às vezes, do que com o meu segundo comandante”.
O segundo comandante, Sérgio Guimarães, exercia o cargo em regime de voluntariado. Profissionalmente, é enfermeiro e trabalha nas urgências em Ponte de Lima.
É “mestre em enfermagem médico-cirúrgica, integra a equipa que presta serviço na ambulância de Suporte Imediato (SIV) de Ponte Lima e dá aulas na Escola Superior de Enfermagem do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC). Tem uma vida bastante ocupada. Para o Sérgio, os bombeiros eram mais uma missão. Acredito que até vai ficar um pouco mais desafogado”, observou.
Segundo a direção, presidida por Germano Amorim, “este processo pretende reforçar a participação interna e garantir que a futura liderança represente a confiança e o reconhecimento dos seus pares”, sendo que o objetivo é “promover uma visão moderna e inclusiva da liderança, sendo considerada com particular interesse a integração de uma mulher na futura equipa de comando”.
“Enquanto decorre este processo, a coordenação operacional ficará assegurada pelo bombeiro mais graduado, António de Sousa Pinto, contando com o apoio das diferentes chefias e estruturas do corpo de bombeiros”, destaca a direção num comunicado enviado às redações.
Durante o período de transição vão também colaborar os chefes das Equipas de Intervenção Permanente (EIP) Duarte Pereira, Jorge Silva e Daniel Pinto, a chefe OPTEL- Operador de telecomunicações e Transporte de Doentes Não Urgente (TDNU), Tânia Barros, e o chefe do INEM, António Alves.