Arte, património e natureza unidos num festival que celebra a alma do Vale do Âncora, trazendo a este território, de 13 a 15 de março, artistas, investigadores, empreendedores, músicos e visitantes, recebidos por uma comunidade com “chieira” na sua história!
Imagine um rio que corre selvagem desde a Serra d’Arga até ao Atlântico, fio condutor de uma história que se perde no tempo, um vale onde mamoas, gravuras rupestres e castros trazem o eco de uma presença humana milenar – que recua até ao IV milénio a.C. –, uma paisagem rural viva onde pequenas aldeias se aninham nas vertentes e se espraiam pelas margens deste curso de água… Este cenário deslumbrante será transformado numa galeria de arte ao ar livre com a Mostra Coletiva “Arte na Terra” e no palco do Festival Galaico do Vale do Âncora, que terá como epicentro a freguesia de Freixieiro de Soutelo, no concelho de Viana do Castelo, e como ponto de todos os encontros a Fábrica das Memórias (antiga Escola Primária). O Festival Galaico do Vale do Âncora é um convite da população de Freixieiro de Soutelo, pioneiros nesta primeira edição, a participar de um vasto programa que se entende ao longo de um fim de semana repleto de experiências para todas as idades e públicos, vividas em ambiente de partilha e cocriação comunitária.
Assume como objetivos centrais promover a descentralização da cultura, reforçar o sentido de pertença e capitalizar a identidade como fator de inovação. Um dos eixos estruturantes do Festival centra-se nas matrizes culturais atlânticas — frequentemente associadas à herança celta — e nas identidades galaico-minhotas e transfronteiriças, promovendo o estudo, a divulgação e a valorização do património material e imaterial do Vale do Âncora.
O Festival conjuga a exposição “Arte na Terra”, instalada em locais inusitados da paisagem, animação musical e concertos de raiz galaico-minhota, oficina de instrumentos tradicionais, jogos ancestrais, teatro popular, queimada celta, degustação gastronómica, fórum de diálogo cultural interdisciplinar e caminhada de imersão na natureza e no património.
A dimensão artística do Festival reúne já artistas emergentes e consagrados, nacionais e internacionais, entre os quais Agustín Bastón, Ana Cruzeiro, Cipriano Oquiniame, Fernanda Vilas Boas, Gonçalo Martins, Henrique do Vale, João Rego, Monica Taboada Veiga, Nettie Burnett e Vasco Sá-Coutinho. A Tertúlia “Âncoras Atlânticas” conta com a participação de reconhecidas personalidades ligadas à reflexão cultural, identitária e territorial do Alto Minho, entre antropologia, história, geografia, economia e geologia, nomeadamente Álvaro Campelo, José Carlos Loureiro, Miguel Costa, Rodrigo Pita Meireles e Ricardo Carvalhido.
O Festival integra igualmente a atribuição da menção de mérito “Sábio da Memória do Âncora”, reconhecimento simbólico, deliberado por um conselho multifacetado, que visa distinguir personalidades do espaço galaico-minhoto cujo percurso científico, cultural, empreendedor ou comunicacional tenha contribuído de forma relevante para a valorização e difusão desta herança cultural atlântica.

