“Um morto muito vivo” marca três anos de vida do Coletivo Teatros Aos Quartos

O mais recente grupo de teatro amador do concelho, o Coletivo Teatro aos Quartos, completa três anos de existência. Os 15 atores já estão em cena a apresentar a produção, cuja encenação é de Ana Perfeito.

“Alguns dos elementos deste grupo já faziam teatro, pertenciam às oficinas de teatro do CDV – Teatro do Noroeste. Eu já fazia há 13 anos. Mas nesse grupo fazíamos coisas muito sérias e eu achava que deveríamos fazer outras coisas mais divertidas para os mais seniores”, dizia o coordenador do grupo. José Sousa explicava que os elementos do grupo se reuniram e convidaram Ana Perfeito para encenadora. 

No ano de criação do Coletivo, apresentaram uma comédia “Uma mala nunca vem só” e ainda uma peça de Natal para crianças, que foi apresentada nas escolas vianenses. A comédia estreou em Afife e logo na estreia tiveram 900 espectadores. “Tivemos salas completamente cheias. O espetáculo era muito divertido. Fomos a muitas salas. A última apresentação aconteceu no Teatro Sá de Miranda e parte da bilheteira reverteu para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Viana”.

No segundo ano de existência do Coletivo apresentaram “A Quadrilha”, com apresentações em Portugal e Espanha. “No ano passado tivemos apresentações até maio. Apresentamos em Espanha e também em Famalicão, no âmbito das iniciativas do bicentenário de Camilo Castelo Branco”.

Os 15 atores, que integram o Coletivo, têm entre os 13 e 82 anos e ensaiam duas vezes por semana até à semana da estreia. “Nós somos um grupo diferente. Primeiro, ninguém falta aos ensaios. Aqui é muito raro faltar. Há um compromisso para com o grupo. Fora as apresentações, fazemos jantares de Natal e muitos convívios”.

José Sousa fez um balanço positivo destes três anos. “Foram três anos maravilhosos. Nunca pensávamos que iríamos ter esta projeção. Quando surgimos não havia grupos de teatro amador com esta regularidade. Havia o Teatro à sexta que já existia, mas só fazia uma coisa ou outra, de vez em quando. Depois de nós começarmos, eles também começaram a fazer outras coisas com outra motivação”. 

Protocolo com a Câmara

No futuro, José Sousa espera celebrar um protocolo com a Câmara Municipal que lhes permita levar o teatro a várias freguesias do concelho. “Achamos que é importante. Nós gostamos de ir para fora do concelho, mas também queremos atuar cada vez mais no concelho de Viana”. 

O coordenador do grupo revela a vontade de continuar a apresentar comédias e levar as peças de teatro a outras salas. “Este coletivo dá muito trabalho, mas a nossa recompensa é quando conseguimos que as pessoas se riam. Enquanto as pessoas estão a assistir à peça esquecem tudo. Nós quase não entregamos convites e há uma cobrança de um valor por cada entrada. Enquanto há outros grupos que dão bilhetes ou as entradas são gratuitas, nós cobramos sempre”, advoga José Sousa.

Ana Perfeito fala de um desafio de encenar as peças do grupo. “A experiência é desafiante e enriquecedora, porque temos pessoas de diferentes proveniências. Há pessoas que já fazem teatro amador há algum tempo e depois há outros que será a primeira vez que vão pisar o palco”, frisa a também atriz.

E a opção de o grupo só apresentar comédias é também desafiante. “Fazer rir é muito difícil. Os tempos da comédia são muito difíceis”, diz Ana Perfeito. 

Josefina Pinto, 63 anos, integra o Coletivo e conta a razão: “Quando criaram o grupo, uma das atrizes adoeceu e eu fui repescada. Tornou-se a minha segunda família. O palco para mim é muito importante. Não consigo explicar o que sinto”.

A atriz informa que trabalha no hospital e sempre teve presente fazer rir os doentes. “Faz parte da minha essência estar no palco a fazer rir os outros. Eu só quero participar em comédias. Não é fácil fazer as pessoas rir, mas com imaginação conseguimos”, frisa.   

Licenciada em Comunicação Social pela Universidade do Minho, possui mais de 20 anos de experiência na área do jornalismo.

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