Foi apresentado, pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS). Este promete transformar profundamente a forma como os cidadãos se deslocam no concelho, assumindo como prioridade a redução do uso do automóvel individual e a aposta clara em soluções de transportes mais sustentáveis.
A estratégia assenta numa mudança estrutural de paradigma, procurando substituir o modelo centrado no carro por uma rede integrada de transportes coletivos, modos suaves e soluções inovadoras de ligação urbana.
Entre as medidas já concretizadas, destaca-se a entrada em funcionamento da frota da TUViana, transportes públicos, totalmente elétrica — um investimento considerado significativo, tanto do ponto de vista financeiro como político. O edil Luís Nobre sublinha que esta decisão exigiu “coragem e determinação”, enquadrando-a como um passo decisivo rumo a uma cidade mais moderna e ambientalmente responsável. Este disse também que o Plano Diretor Municipal (PDM) tem ações que têm de ser incorporadas neste Plano.
O plano vai além da eletrificação dos transportes, apostando também no reforço das ciclovias, na promoção da mobilidade pedonal e na melhoria da articulação entre diferentes meios de transporte, incluindo rodoviário, ferroviário e fluvial.
Em cima da mesa estão projetos estruturantes, como a construção da anunciada ponte pedonal e ciclável e a eventual criação de ligações fluviais, durante todo o ano, entre margens, através de operadores a concessionar. Embora avisando que pensa ser uma solução que viria a ter “maior rejeição que a ponte”, o presidente da Câmara, Luís Nobre admitiu a hipótese de se vir a reduzir a hipótese a velocidade na circulação rodoviária na ponte Eiffel com o desiderato de promover o convívio desta com bicicletas e peões. Seria uma alternativa à falada ponte pedonal e ciclável.
Nobre enfatizou a necessidade de incrementar as ligações fluviais entre o cais junto à Praça da Liberdade e o do situado no Cabedelo (Darque). “Será opção se tiver qualidade em termos do material que está associado, das embarcações, dos horários, das frequências”. O autarca defende o incremento das ligações entre Viana do Castelo e Darque a nível fluvial, ciclável e pedonal, como também ferroviárias, tendo anunciado que já propôs à CP uma proposta com vista a ligações pendulares de comboio entre as duas localidades que, todavia, não a verá como uma urgência. Tudo isto como complemento ao já existente transporte rodoviário elétrico da TUViana.
“Este é um plano dinâmico e que é trabalhado em diversos pilares, como as grandes apostas nas vias como a nova ponte e a a via do Vale do Neiva, e com grande aposta na mobilidade que é o TUViana”, asseverou, por sua vez, Fabíola Oliveira, vereadora da Mobilidade, lembrando que o PMUS é já um documento conhecido da autarquia e com algumas das suas medidas já em prática, nomeadamente no domínio do fomento do transporte público, defendendo-se uma “transformação gradual mas consistente” da mobilidade urbana.
Do ponto de vista político, o executivo rejeita uma abordagem centrada na penalização dos automobilistas, optando antes por políticas de incentivo e sensibilização. A aposta passa por criar alternativas eficazes que levem os cidadãos, de forma voluntária, a abandonar o transporte individual.
“Mais do que penalizar, queremos convencer”, é a linha orientadora assumida, numa estratégia que procura gerar consenso e adesão pública, evitando medidas impopulares como o reforço da fiscalização ou restrições diretas ao tráfego.
Ainda assim, o plano não ignora a necessidade de garantir equilíbrio social, prevendo soluções para os cidadãos que não têm alternativa ao uso do automóvel, nomeadamente em zonas com menor cobertura de transportes públicos.
O PMUS é um documento obrigatório para os Municípios (mas só 10 por centro destes estará já a cumprir) como instrumento orientador das suas políticas de mobilidade, tendo sido apresentado na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal Viana do Castelo ao final da última quinta-feira. Na sua apresentação esteve Paula Teles, fundadora e presidente da Rede Cidades e Vilas que Caminham, juntamente com Pedro Silva e Jorge Brito. Na altura, estes defenderam o resgate do espaço urbano ao automóvel e foi deixado o aviso que “peões e ciclistas têm alguma dificuldade em andarem juntos”. Entre outras coisas, foi também dito que, em Viana do Castelo, mais de 60% dos alunos vive a menos de 15 minutos da escola e, a nível de mobilidade, 85% da população vianense fica no concelho. Por freguesias, a taxa de maior “retenção” da população é na União de Freguesias de Viana do Castelo (mais de 50%), sendo Freixieiro de Soutelo aquela onde se regista maior deslocação para fora do seu território (85%).

