Não temos dúvidas de que a maioria dos cidadãos do mundo, entre eles os portugueses, está preocupada com o agravamento das condições políticas, económicas e sociais com que se vai deparando. E são estas conjunturas que mais influência têm neste quadro problemático em que vivemos, com consequências nefastas no nosso regular quotidiano, com a agravante de não ser possível conjeturar o futuro que, tudo indica, tende para a degradação, particularmente pelo imobilismo visível nos líderes que vamos tendo.
O planeta viveu sempre enredado nas suas naturais complexidades e, neste enquadramento, fez o seu caminho de evolução natural. Para tal, mesmo com conflitos armados e desarmados, soube sempre encontrar as soluções de cada momento. O mundo teve sempre gente pouco ou nada recomendável, na qual predominou a tirania, o egoísmo e a loucura da guerra, mas também houve sempre uma maioria que, na base de entendimentos – por vezes espúrios – foi pondo fim à desordem, relançando o normal caminho das sociedades, particularmente daquelas que se souberam bater pelo progresso.
Porém, hoje, salientemente, constatamos que o mundo não se entende, cria problemas desnecessários, banaliza o recurso às guerras, vendo-as como solução natural, sabendo-se que estas só resultam em tragédias. Depois, não criam entendimentos, não partilham soluções, antes manifestam presunções; não se sobrepõem ao individual em prol do coletivo; não aprofundam a ciência e, quando o fazem, é sempre em benefício próprio e nunca das comunidades; e não procedem a reformas oportunas para melhorar rendimentos em benefício de todos.
É perante este quadro sombrio que não se vê despontar, um pouco por toda a parte, gente visionária que sacuda o imobilismo, que combata a arrogância, que mobilize as gentes a favor dum mundo novo, que aproxime as comunidades, que dê vida às instituições que têm a seu cargo a gestão dos conflitos e a melhoria das condições de vida das populações nas mais variadas vertentes. É perante este quadro triste que não se pode baixar os braços nem fechar a boca, porque calados e apáticos, tornamo-nos inúteis, e a inutilidade torna o Ser Humano menos cidadão.
O que seria das sociedades se tivessem como prática a rotina na qual o velho persiste e o novo não desponta. Mas é muito disso que temos em presença. Só se deseja que tudo seja passageiro e que novas mentalidades despontem para, em paz, darmos o salto em frente de que estamos necessitados.
GFM