Oficina Cultural do Politécnico de Viana do Castelo acolhe primeira exposição após remodelação

A Oficina Cultural do Politécnico de Viana do Castelo recebeu, esta segunda-feira, a inauguração da exposição “Um tempo que se abre – Permanecer no olhar, na matéria, na memória”, da artista Maria João Lousa. Integrada nas comemorações dos 40 anos da instituição, a mostra assinala simultaneamente a primeira grande exposição individual da antiga colaboradora do Politécnico e o regresso da atividade expositiva ao espaço após a sua remodelação.

O significado da inauguração foi destacado pelo presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, que sublinhou o carácter simbólico da iniciativa. “É um momento com um gostinho especial, porque é a primeira exposição que este espaço acolhe depois da remodelação, mas também porque é uma exposição de uma mulher da casa, a Maria João, que trabalhou muitos anos connosco”, afirmou.

Carlos Rodrigues destacou ainda a importância da Oficina Cultural enquanto espaço aberto à comunidade, defendendo que o Politécnico de Viana do Castelo deve assumir também um papel ativo na promoção cultural e artística do território. “Este é um espaço pensado para acolher exposições dos nossos, mas também de outros artistas. Queremos que a Oficina Cultural não seja apenas da academia, mas também da sociedade”, sublinhou.

A cerimónia, decorrida esta segunda-feira ao final do dia, contou com a presença de membros da comunidade académica e convidados, tendo sido acompanhada por um momento musical protagonizado por Benedito Lopes, finalista do 12.º ano da Escola Profissional Artística do Alto Minho – ARTEAM, que se apresentou em violoncelo.

Na apresentação da exposição, a curadora Fernanda Vilas Boas destacou a coragem da artista ao avançar para a sua primeira grande exposição individual, considerando que o trabalho desenvolvido ao longo dos anos justificava plenamente este momento de abertura ao público. “A Maria João tinha já um trabalho magnífico em atelier e estava na hora de sair de portas”, afirmou, explicando que a exposição permite percorrer diferentes etapas de um percurso artístico construído a partir da experiência vivida e do contacto com diferentes geografias e culturas.

A mostra organiza-se em torno das séries Silêncios e Ecos do Oriente, às quais se junta um conjunto de obras autónomas. Segundo a curadora, a primeira reflete influências ligadas às origens angolanas da artista, enquanto a segunda evidencia marcas da vivência em Macau e das frequentes viagens realizadas pela Ásia.

Nascida em Angola, com passagem por Lisboa durante a adolescência, residência em Macau e atualmente radicada no Alto Minho, Maria João Lousa desenvolveu uma linguagem plástica maioritariamente abstrata, onde memória, matéria e emoção se revelam através de sucessivas camadas de cor, textura e gesto.

No final da sessão, a artista agradeceu o convite para integrar as comemorações dos 40 anos do Politécnico de Viana do Castelo, partilhando com a comunidade uma seleção representativa do seu percurso artístico.

A exposição “Um tempo que se abre – Permanecer no olhar, na matéria, na memória” poderá ser visitada na Oficina Cultural do Politécnico de Viana do Castelo até ao próximo dia 02 de julho.

Para Luís Ceia, administrador dos Serviços de Ação Social do Politécnico de Viana do Castelo, trata-se de uma mostra que “permanece no olhar, porque a estamos a ver, permanece na matéria, porque existe, e permanece na memória”, numa referência ao título da própria exposição.

Licenciada em Comunicação Social pela Universidade do Minho, possui mais de 20 anos de experiência na área do jornalismo.

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