Já as Voluntárias da Liga tinham costurado milhares de sacos de TNT (Tecido Não Tecido), em resposta ao desafio das Enfermeiras do Projeto de Sustentabilidade Cirurgia Verde, quando deparei com os “Concursos dos Vestidos de Chita”, numa consulta ocasional a alguns números d’A Aurora do Lima dos meus tempos de juventude. Depois de obter a aprovação das colegas da direção da Liga dos Amigos do Hospital e das citadas Enfermeiras, lancei o desafio de um concurso com vestidos de TNT à estilista Isabel Lima que logo o aceitou com entusiasmo, começamos a delinear o evento, que deveria constituir a 3ª Gala Solidária, programada para angariação de fundos destinados a adquirir equipamentos para oferecer aos Serviços Hospitalares. Por se tratar de um processo de reutilização de desperdícios hospitalares, pareceu-me adequado inclui-lo no Dia Mundial do Ambiente, proposta que imediatamente foi aceite e apoiada pelo Presidente Luís Nobre e pela Vereadora Fabíola Oliveira, bem como a realização do evento no Parque Ecológico Urbano, por indisponibilidade do Coliseu, para onde eu o tinha idealizado. Mas a experiência anterior de Isabel Lima, que já tinha realizado um evento no PEU, deu-nos alento para avançar com determinação para a 3ª Gala Solidária, metendo ombros à angariação de fundos com a realização de um evento, para o qual a Liga dos Amigos do Hospital não tinha o mínimo saber como fazer (Know how).
Como já há várias décadas perdi o pudor de pedir aos vianenses colaborações com a Liga dos Amigos do Hospital, não me foi difícil cativar os apoios dos Hotéis Dona Aninhas, Flor de Sal e Axis, da Pousada de Santa Luzia e dos Restaurantes Laranjeira, Café Sport e Maria de Perre para os prémios dos concorrentes, da Blisq Creative para o design e produção dos cartazes, convites e diplomas, e, até, a montar a rede de voluntárias e enfermeiras para distribuir convites e receber os donativos (que constituíam o objetivo principal da Gala Solidária!).
Mas o caminho começou a ficar mais estranho para mim quando foi preciso elaborar o Regulamento e as particularidades da ficha de inscrição para um concurso de vestidos, escolher o trajeto do desfile (ao ar livre!), definir as exigências de iluminação dos modelos e de som da respetiva apresentação, imaginar os troféus e adereços do espaço, aceitar a votação do público por QR Code e, depois, responder às mais surpreendentes perguntas das concorrentes e modistas que ficaram com o meu número de telefone. Não me foram estranhos os trabalhos burocráticos e, até, físicos (colar cartazes e carregar cadeiras, por exemplo) que quem se mete nestas andanças associativas conhece bem, mas o meu caminho começou a estreitar-se, quando me foi imposta a presidência do Júri que escolheria os melhores coordenados (é assim que os especialistas chamam aos trajes).
A observação dos desenhos e fotos dos modelos, que as concorrentes antecipadamente enviaram à organização, já me faziam prever dificuldades de escolha, mas vê-los vestidos pelas concorrentes, algumas das quais eu próprio tinha desafiado pessoalmente a concorrer, sob as luzes dos holofotes e, na sua maioria, exibidos com evidente garbo e segurança no desfile, ainda mais estreitou o afunilado caminho que tive de trilhar naquela noite mágica. Por mim, dava o primeiro lugar a umas onze ou doze candidatas e quase todas as outras mereciam chegar aos três lugares do pódio. Tive a sorte se ser acompanhado no Júri por quatro decididas Mulheres (Fabíola, Manuela, Joana e Isabel) que, apesar de terem precisado de obrigar as concorrentes a dar quatro ou cinco voltas à pista para decidirem, chegaram a um consenso de que comunguei. Parabéns às vencedoras dos três prémios do Júri e a todas as outras concorrentes, cuja participação agradeço vivamente e que, com a sua presença e criatividade, contribuíram para o extraordinário sucesso do brilhante evento.
Parabéns especiais à vencedora do prémio do público, a Isabel que, sendo Voluntária da Liga, soube interpretar cabalmente o espírito de missão que anima todo o Corpo de Voluntariado dos Amigos do Hospital, dedicando a sua participação às Mulheres com Cancro da Mama, opção que foi aplaudida pelo público que esgotou os convites disponíveis.
Uma palavra, também, para os três homens que, como eu próprio, se atreveram a mergulhar naquele mundo que muitos pensam não nos ser predestinado. Confesso que me senti muitas vezes “fora de pé”! Mas este pequeno desabafo escrito, tem como objetivo prioritário expressar o que considero ser o mais nobre sentimento humano – a gratidão. Agradecer aos que, com a presença e donativos, contribuíram para o sucesso da iniciativa, à Vereadora Fabíola e aos Engos. Leonor e Samuel, que lideraram a equipa da autarquia que apoiou o evento, às empresas de hotelaria, às Voluntárias e Enfermeiras que distribuíram convites e receberam donativos, aos concorrentes que conceberam e confecionaram os trajes e desfilaram, aos Enfermeiras da Sustentabilidade e às dirigentes da Liga dos Amigos do Hospital que, com tempos e empenhamentos diferentes, colaboraram nas diversas etapas do concurso.
E não me esqueço, claro, de agradecer às Amigas da Liga de Laço que abriram o espetáculo com a saudação que semanalmente fazem às crianças internadas, à jovem cantora Maria Gonçalves e ao grupo de dançarinos da Casa do Pessoal do Hospital que com as suas superlativas atuações reforçaram o sucesso do evento. Mas tenho de distinguir três pessoas, que, pela sua disponibilidade, conhecimento e rigoroso cumprimento das responsabilidades assumidas, constituíram o trio de suporte da ideia e da concretização deste singular empreendimento da Liga dos Amigos do Hospital. Sem o trabalho dedicado da Voluntária Fátima Carvalhido, da Enfermeira Céu Gomes e, especialmente, da Estilista Isabel Lima, o “Concurso Vestir Reciclado” não teria acontecido. Todos teríamos perdido a oportunidade de nos surpreendermos naquela noite mágica com a criatividade, a autoconfiança e a beleza com que aquelas e aqueles jovens, das mais diferentes idades cronológicas, inundaram o parque pulmão da nossa cidade.
E a Liga dos Amigos do Hospital não teria angariado os cinco mil euros de donativos, de participantes e assistentes, que quatro dias antes já tinha despendido, na aquisição dos equipamentos que ofereceu a diversos Serviços Hospitalares no Dia Mundial da Criança!
Foi muito revigorante encontrar tantas pessoas a comungar os mesmos ideais!