O Presidente da República destacou a Bienal de Cerveira “como instituição importante e memorável”.
“A Bienal de Cerveira elege como problema, como ponto de partida e ponto de chegada da sua 24.ª edição. Talvez o rio Minho seja esse mapa volátil e flutuante em que a palavra fronteira faz mais sentido em duas das suas direções. A fronteira que separa e a fronteira que une”, referiu o Chefe de Estado.
“Uma das vantagens da existência da palavra fronteira é podermos discuti-la e problematizá-la, não apenas como realidade política e geográfica ou como acidente da história, mas também como uma negociação com o tempo e a sua passagem. Falamos abundantemente de fronteiras que separam dois mundos. Mas num século que faz do virtual o seu emblema e a sua obsessão, talvez isso não faça tanto sentido como há nove séculos, quando Portugal começou a formar-se e a desenhar as suas fronteiras ou como há um século, ou como há 40 anos, quando as fronteiras da Europa passaram a ser um desenho no papel, um risco no mapa, um rio atravessado por uma ponte”, salientou António José Seguro.
A Bienal fez-se “com trabalho, insistência, também com paixão, dedicação e criatividade. Permitam-me dizer que não se trata de uma construção mental, como as fronteiras podem ser. Trata-se de uma construção deixada por mulheres e homens que acreditaram que a arte pode deixar uma palavra, uma poeira, uma imagem, uma respiração de beleza e de interrogação em Vila Nova de Cerveira, que já é por si só um espelho de beleza, junto de um dos mais belos rios que temos de proteger e continuar a amar”.

