O final do mês de setembro é sinónimo de aproximação da criação artística à comunidade, em Vila Nova de Cerveira. A proposta integra a programação da XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC), fazendo chegar a 15 freguesias do concelho o ciclo de residências artísticas Vai-Vem: Derivas Territoriais e a Urgência da Descoberta. Até 05 de outubro, mais de uma dezena de artistas vai percorrer estas localidades para desenvolver os seus projetos num diálogo direto com o território, atravessando diferentes linguagens musicais.
“A proximidade é um dos pilares do Vai-Vem, que parte da ideia de que a música se transforma à medida que circula e entra em contacto com novos públicos, lugares e formas de fazer”, explica o curador da iniciativa, Nuno Alves. Integrado no programa “Sem Fronteiras”, alinhado com o mote da BIAC, o ciclo assenta na premissa de que a prática artística se alimenta do trânsito e amplia o âmbito comunitário, espalhando-se de forma descentralizada pelos diferentes territórios de Vila Nova de Cerveira.
Com trajetórias e origens diversas, o ciclo reúne, entre outros, nomes como Hedera 4tet, Jorge Queijo, Arianna Casellas y Kauê, Canto Nono ou a Orquestra de Guitarras e Baixos Eléctricos (OGBE). As margens do rio Minho, os espaços rurais e as zonas de montanha são alguns dos pontos geográficos que podem tornar-se parte integrante das criações que vão desde a música contemporânea à improvisação eletrónica, passando pela exploração vocal até à criação interdisciplinar.
Primeiro concerto arranca esta sexta-feira
Após o período de desenvolvimento artístico, os projetos vão ser apresentados ao público, partilhando o que resultou deste encontro entre artistas, território e comunidade. Os primeiros concertos arrancam esta sexta-feira, com o percussionista Jorge Queijo, às 21h30, no Parque de Lazer de São Roque de Gontige. O projeto “Adufes & Pandeiros” tem como ponto de partida a força ancestral destes instrumentos, colocando a tradição em diálogo com novas estéticas e sensibilidades. O mesmo local recebe logo de seguida (às 22h30) “Coisa Mansa”. O projeto – composto por guitarra elétrica, sintetizador, bateria e baixo elétrico – convida a um concerto com temas originais, partindo de diferentes estéticas e referências que partem do rock e se aventuram por “lugares” difíceis de definir.
No sábado, dia 26, há três projetos a subirem “ao palco” de diferentes localidades de Vila Nova de Cerveira. O programa começa às 11h00, com uma visita guiada pela diretora artística Mafalda Santos à exposição “A-SALTO: Vemo-nos no fim do mundo”, patente no Convento de San Payo, na freguesia de Loivo. O mesmo espaço acolhe, às 11h45, o concerto de Dullmea, projeto de Sofia Fernandes que explora uma miríade de possibilidades entre voz e eletrónica. Na parte da tarde, às 17h30, o Parque de Merendas da Encarnação, em Lovelhe, recebe a OGBE. Criada em 2009 pelo reconhecido guitarrista e compositor “Peixe”, os seus concertos distinguem-se pela direção em tempo real, com peças compostas por fragmentos criados pelo grupo e que resultam do cruzamento de diversas linguagens e da presença de dezenas de guitarras, baixos e bateristas.
Os concertos de sábado culminam às 21h30, no Palco das Artes, com Canto Nono que apresenta “Que voz de Liberdade é esta?”. O projeto assume-se como uma viagem sensorial e introspetiva, numa homenagem à obra do poeta e compositor português Sérgio Godinho. O grupo vai apresentar arranjos vocais inovadores e harmonias experimentais, com influências do jazz e música portuguesa contemporânea.
Já no domingo, será a vez do duo Arianna Casellas e Kauê atuarem em Gondar, às 16h00, num concerto íntimo que oscila entre a canção e a declamação, a música tradicional e as referências a formas de cantar mais contemporâneas. Às 18h30, a freguesia de Mentrestido acolhe Má Língua, trio composto Pedro Gonçalves Oliveira, Samuel Martins Coelho e Rui Leal, que respondem, interrompem, contradizem e desafiam-se, fazendo da própria música uma espécie de conversa sem palavras.
Apresentações das residências artísticas continuam em outubro
O arranque do mês de outubro também vai levar apresentações a várias localidades. Projetos como Hedera 4tet – composto pelos violinistas Carlos Zíngaro, Bernardo Aguiar, David Magalhães Alves e Francisco Lima da Silva –, Pomes – duo composto por João Mortágua & Tiago Sampaio – ou o contrabaixista Gonçalo Almeida, que se apresenta a solo, são apenas alguns dos nomes reservados para o segundo fim de semana desta iniciativa, que terá os concertos anunciados em breve.
“A Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) tem, desde 2022, vindo a reforçar a descentralização da sua ação, levando a criação artística e a programação cultural às diferentes freguesias de Vila Nova de Cerveira. É uma estratégia de proximidade que queremos continuar a aprofundar, aproximando a arte das comunidades e valorizando os diferentes territórios do concelho. O Vai-Vem é mais um exemplo desse compromisso”, afirma Presidente da FBAC, Rui Teixeira.

