A Diocese de Viana Do Castelo iniciou este sábado, em Darque, o Ano Pastoral 2026/2027, dedicado ao “Renascer” e marcado pelo jubileu diocesano, com um apelo ao fim das crispações no interior das comunidades cristãs.
“Infelizmente, temos muita crispação, temos muitos ódios, muitas rivalidades, mesmo dentro do contexto das comunidades cristãs. E isso não é cristão. Cristão é viver na comunhão, viver no amor e que as pessoas se sintam aí confortáveis, porque isto é conforto para a pessoa humana, seja quem for”, afirmou D. João Lavrador, em declarações ao ‘Notícias de Viana’.
O Centro Pastoral Paulo VI acolheu a apresentação do Ano Pastoral que, segundo o responsável católico, por se um ano jubilar, de comemoração dos 50 anos da diocese tem, já desde a tradição bíblica, um “efeito muito grande”.
“É um renascer, é uma nova oportunidade para reconhecer a graça de Deus e, através de um conjunto de ações concretas, viver como que um novo começo”, indicou.
Para D. João Lavrador, este ano deve ser vivido como uma oportunidade para “agradecer a Deus” e iniciar um novo caminho.
“E, por isso, é que nós queremos trazer para agora, também, esta mesma realidade e dar este convite a uma Igreja em renovação constante, permanente”, salientou.
Na intervenção de abertura do ano pastoral, o bispo realçou a necessidade de uma Igreja mais missionária, com pessoas capazes de “transformar tudo para que os costumes, os estilos, os ritmos, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual do que à auto-preservação”.
De acordo com o responsável católico, a renovação não pode ser apenas superficial, frisando a importância de “evangelizar não de maneira decorativa, como aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade, e isto até às suas raízes, a civilização e as culturas do homem”.
O ato de renovar deve, defende D, João Lavrador, começar nos próprios membros da Igreja, através de cada um dos batizados, discípulos, missionários e participantes ativos da comunidade cristã.
“[Os desafios da renovação são] lançados a todos os carismas e agentes pastorais, aos sacerdotes, aos consagrados e consagradas, aos religiosos e religiosas e aos leigos”, disse.
Em declarações ao Notícias de Viana, o bispo evidenciou a importância da comunidade enquanto espaço de vivência da fé, onde dentro da qual cada um vai encontrar “gestos”, “ações”, “interpelações” e “desafios”, mas sobretudo “uma coisa que encanta, que é o amor e a comunhão”.
D. João Lavrador abordou ainda o papel dos jovens no novo ano pastoral, que defende que deve ser “central”, porque “transportam em si, na sua forma de ser, uma realidade natural que se interliga com a fé cristã”.
“Os jovens têm muito a aprender com a sabedoria dos mais adultos. E os adultos têm muito a aprender com a ousadia dos jovens e com a irreverência dos jovens”, disse, lembrando o documento “Christus vivit”, do Papa Francisco.
“Esta relação é fundamental, porque é na comunidade no seu todo, como é na família, nas diversas idades, que se faz a formação equilibrada e total da própria pessoa”, declarou.
A Diocese de Viana do Castelo vai comemorar os 50 anos da sua criação em 2027, para o qual o bispo D. João Lavrador convidou à participação em nota pastoral no passado mês.
“Há um conjunto de ações pastorais para as quais somos convidados, mas todas elas, são meios para nos encontrarmos mais com Jesus Cristo, escutar o seu apelo a segui-lo, e a receber o dom da graça divina na sua plenitude”, escreveu.
