A conversa final com João Pedro Ferreira: da deceção à aprendizagem

(O conteúdo que se segue equivale à continuação da entrevista que começou por ser partilhada na edição de 02 de junho. Na primeira parte do depoimento prestado por João Pedro Ferreira, técnico-adjunto da AD Darquense, tinham já sido abordadas as sensações resultantes de uma época competitiva que fica marcada pela despromoção da equipa sénior à 2.ª Divisão Distrital).

Antes de consumada a descida, recordas algum momento em que tenhas sentido a equipa “atirar a toalha ao chão”?

A derrota em Melgaço a seis jornadas do fim custou-nos muito. Um jogo entre adversários diretos que é claramente marcado por uma arbitragem “esquisita”. Numa viagem longa, levámos uma equipa extra motivada a virar a página, que chega a vencer ao intervalo já com 10 jogadores e vê mais três vermelhos numa segunda parte como ainda não tinha visto. Ninguém atirou a toalha ao chão, até porque vencemos na jornada seguinte, mas olhando para trás esse jogo marca uma quebra na crença do grupo.

João, na procura de um olhar menos ‘negro’, mas mais aligeirado e até favorável, lanço as duas últimas questões: Que aspetos positivos sobram da temporada e das experiências acumuladas? É possível extrair conclusões boas do insucesso?

Há muito de positivo. O plantel que terminou a época nunca deixou de treinar e de dignificar a camisola e isso orgulha-me, principalmente num clube que não tem nenhum jogador salariado. Pessoalmente também vi atletas a evoluírem o seu jogo, a sua técnica e a construir relações de amizade entre si. Afinal, o futebol no final serve precisamente para isso.

Há também um fator importante que é o facto de esta ser a primeira experiência de 1.ª divisão para 95% dos atletas. Serviu para perceber que há diferença entre as competições, muito em termos individuais qualitativos. Puderam mostrar-se a clubes com outras ambições e não há nada melhor como defrontar os melhores. 

Em jeito de fim de época, aproveito para agradecer ao Paulo Monte pela oportunidade de trabalhar num contexto tão exigente. Não fizemos um bom trabalho, caso contrário estaríamos na primeira divisão, mas penso que demos o melhor dentro de todas as dificuldades. Um bom descanso aos atletas e que voltem com força e exigência redobrada, independentemente do projeto ou do clube.  

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