Américo Carneiro

Amados Quadros

Garrafas, taças, jarras, copos. De pouco mais necessitava Morandi para os seus profundíssimos estudos de estética, os seus extraordinários, os seus inigualáveis quadros representando Naturezas-Mortas e, esporadicamente, Paisagens solitárias, compostas através da utilização de figuras geométricas, que eram o mais depuradas possível.  “Nada é mais abstracto do que o mundo visual”, dizia Giorgio Morandi. Toda a sua vida se pautou …

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“O tempo passa a imagem fica” (VI) 

Algumas personalidades públicas são como aqueles folhetins cheios de suspense dos tempos conturbados de Almeida Garrett, embora os temas já não sejam as viagens nas terras de seja lá quem for. Fazem-se estes para-heróis publicar nas redes sociais, ou nos media, pelo menos uma vez por semana, enumeram-se, catalogam-se e enovelam-se nos nossos hábitos e vão avançando em crescendo, prometendo …

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“Amados Quadros” LXXXI. DUFY

A vida de Raoul Dufy, uma estrada pulsante de cor e movimento de longos 76 anos, foi, desde o berço, marcada pelo nomadismo e o experimentalismo intelectuais. Nunca tomando nada como certo, Dufy ia abrindo portas à sua curiosidade insaciável, nunca desprezando influências, antes se valendo delas como ferramentas para avançar na senda do seu próprio caminho.   Tendo começado …

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“O tempo passa a imagem fica”

É um pouco difícil encontrar o Norte ou o Sul no tejadilho de um autocarro turístico desnorteado. Parece que o Norte se foi para sempre. A agulha da bússola, cravada sob os joelhos do velho motorista parecia um sino que não parava quieto, dobrando e girando em destravada alegria de casamento ou de baptizado, e os pagantes de tal serviço …

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“Amados Quadros”

A vida e a obra de Penck confundem-se com o exílio, a peregrinação e o desejo de retorno ao Jardim Proibido. Nascido Alemão, em Dresden, no primeiro ano da II Guerra Mundial (1939), viria a ser, doravante, marcado pelo signo da exclusão social nascida da divisão da sua Pátria durante a Guerra Fria. O seu trajecto artístico e as suas propostas …

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“O tempo passa a imagem fica” (IV)

No tempo em que a TêVê apareceu pela primeira vez entre nós, já as rosas floriam por todo o lado numa operação de charme indescritível de ousadia, de cor e de efeitos especiais, o que evidenciava o facto de haver muitas habilidades nos rosais e na Natureza ao seu redor. Acresce que as rosas e o nascimento dos passarinhos eram …

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LXXIX. MAX LIEBERMANN

Max Liebermann nasceu em Berlim, no seio de uma faustosa família da alta burguesia. Seu pai, um grande empresário, garantiu-lhe, à nascença, uma vida dedicada ao luxo, ao ócio e ao diletantismo. A colossal fortuna familiar abria-lhe todas as portas do futuro. E, sendo assim, o jovem Liebermann começou por aplicar-se ao estudo das Leis e da Filosofia, o que …

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“O tempo passa a imagem fica” (III)

Lá atrás, o compasso das viúvas e dos órfãos, em silêncio pesado e tom escuro. E, à frente, lá vão os Zés P`reiras esfalfados e sedentos, tentando rebentar com bombos e tambores “mas as peles aguentam, ai aguentam”, depois, os Cabeçudos a envolverem-nos aos saltos tentando sacar-lhes umas coroas e os Gigantones sempre a agigantarem-se, claro, e giram, giram, abalroando …

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“Amados Quadros”

e ascendente perspectiva de “um mar” que se vai fundindo – sem que quase se não dê por isso – com uma atmosfera dominadora, feita de ondas e nuvens, enquanto três figuras dominam todo o primeiro plano. Os limites da composição estão recortados, o que nos dá a impressão de partilharmos o mesmo espaço que as três figuras, a sensação …

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