O Município de Monção, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, alia-se à Quercus (Organização Não Governamental de Ambiente) e à Corticeira Amorim (Líder mundial na transformação de cortiça) no programa “Aldeias Suber Protegidas”, para promover ações de reflorestação e proteção ambiental.
Depois do lançamento do programa “Aldeias Suber Protegidas” em Unhais da Serra, no dia 23 de novembro de 2023, segue-se Monção, o segundo projeto desta iniciativa que tem como objetivo a prevenção de incêndios florestais e proteção ambiental do território, e como premissa a reflorestação.
A ação de reflorestação, promovida no âmbito deste programa, será levada a cabo no dia 07 de março, pelas 10h, na freguesia de Segude (Vale do Mouro), e visará plantar 250 carvalhos-alvarinho e 250 sobreiros, numa área suscetível a incêndios florestais. Além disso, contará com o envolvimento, colaboração e voluntariado dos alunos da turma T4A dos 3º e 4º anos da Escola EB do Vale do Mouro.
PROGRAMA “ALDEIAS SUBER PROTEGIDAS”
Este programa pioneiro, lançado em parceria entre a Quercus e a Corticeira Amorim, tem como objetivo principal melhorar a resiliência dos espaços florestais e elevar a segurança e a qualidade de vida nas aldeias localizadas em áreas de elevado risco de incêndio rural ou florestal. Centra-se na prevenção de incêndios, implementando medidas proativas para reforçar a resiliência das florestas nas proximidades destas aldeias.
Visa, também, a proteção e valorização das aldeias, criando faixas de proteção com sobreiros e outras espécies folhosas autóctones, uma estratégia que simultaneamente promove a biodiversidade e facilita a adaptação às mudanças climáticas. O programa fomentará, ainda, o envolvimento comunitário e a cidadania ativa, o desenvolvimento social e o progresso nas áreas abrangidas, bem como, a promoção das florestas e do montado, através do aumento do conhecimento sobre os ecossistemas locais e da adoção de medidas sustentáveis para a sua conservação.
De olhos postos no futuro, o programa prevê expandir-se a outras zonas geográficas, abrindo candidaturas para que mais aldeias se possam juntar ao projeto no ciclo de plantação de 2024/25. Com a ambição de plantar, pelo menos, 20 000 árvores, estima-se que o programa se torne um referencial na conservação ambiental e no fomento de práticas sustentáveis, em Portugal.
CARVALHO-ALVARINHO
O carvalho-alvarinho é uma espécie comum em Portugal, sobretudo no Minho, que pode viver até aos 500 ou mil anos. Também conhecido como carvalho-roble (Quercus robur), é uma árvore de folha caduca e que pode atingir entre 30 a 40 metros de altura.
O “solar da espécie” — local em que a árvore “melhor se adapta” e onde está “mais presente” — é o Minho, em particular no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Denote-se que o Minho é o sítio onde mais chove no país e a única região onde o clima é predominantemente atlântico e não mediterrâneo.
Apesar de não ser uma espécie em extinção, atualmente existem poucos bosques de carvalhos-alvarinho, uma vez que foram sendo substituídos, ao longo dos anos, com a agricultura e pela pastorícia. Mais tarde a reflorestação foi feita sobretudo através da “plantação de pinhais e eucaliptais”. A relativa raridade da espécie levou mesmo a Quercus a lançar uma petição pública para a “proteção legal dos carvalhos de folha caduca”, uma vez que estas árvores continuam a ser cortadas para lenha.
SOBREIRO
O sobreiro, espécie emblemática das paisagens portuguesas, foi uma das primeiras árvores protegidas do mundo. Este estatuto data de, pelo menos, 1546, quando o rei D. João III proibiu o seu corte e utilização para fabrico de carvão ou cinzas nas saboarias ribatejanas.
O sobreiro é uma árvore de folha persistente, de crescimento lento e grande longevidade, que pode viver mais de dois séculos e elevar-se aos 25 metros. Muito comum em Portugal, é facilmente reconhecida pela sua casca grossa de superfície gretada e rugosa, a cortiça, e pelo seu fruto, a bolota, dois produtos agroflorestais com uma longa história de valorização.
Esta espécie cresce naturalmente em vários países do mediterrânio ocidental, incluindo em Portugal, país que tem a maior área de sobreiros do mundo: 720 mil hectares, o que equivale a 22,3% da floresta portuguesa, de acordo com o 6.º Inventário Florestal. Embora se encontrem sobreiros de norte a sul de Portugal, mais de 600 mil hectares estão localizados no Alentejo, onde predomina a paisagem agrosilvopastoril a que chamamos montado. Esta é uma localização compreensível ao sabermos o sobreiro desenvolveu características que lhe permitem viver com temperaturas elevadas e escassez de água.
A cortiça que cobre os seus tronco e ramos, torna-o, inclusive, mais resiliente ao fogo, reforçando o seu valor ecológico, também reconhecido pela relevância da espécie como habitat e fonte de alimento para dezenas de espécies animais silvestres e domesticados.
Ao valor ecológico do sobreiro junta-se a importância económica da sua cultura, em particular pelas já referidas bolota e cortiça. O fruto tem longa tradição na alimentação animal, embora encontre hoje várias aplicações na alimentação humana, enquanto a extração de cortiça remonta ao período Romano e Grego. Usada desde tempos remotos como material flutuante e vedante – as rolhas ainda são a sua mais conhecida aplicação -, a cortiça tem hoje inúmeros outros fins, na construção civil (isolante térmico e acústico), na indústria do calçado e moda e até na aeroespacial.
Para preservar estes seus múltiplos valores, o sobreiro mantém-se como uma espécie protegida e consta também dos habitats integrados no Plano Sectorial da Rede Natura 2000: é a espécie dominante nos habitats naturais Montados de Quercus spp. de folha perene (6310) e nas Florestas de Quercus suber (9330). Em 2011, foi instituído como árvore nacional de Portugal.
