Ainda há pouco tempo aqui proferimos que a Europa, apesar dos muitos problemas com que se debate, continua a reunir condições para superar percalços e manter o caminho do progresso. Perante esta crise, que se agrava em cada dia, resultante, em grande medida, da forma como estão a ser governados os EUA, na base de uma política inconstante e de interesse próprio do seu presidente, há que continuar a pensar que a Europa reúne condições para conservar o seu espaço de bem-estar, de liberdade e de solidariedade, preocupada com a pobreza, o ambiente, a paz, e o respeito pelas fronteiras; pela diversidade de governos, o diálogo entre todos os países do Universo, em suma, a vivência da verdade e do respeito, que deveria ser lema para todos os países. Mas a incultura e a ganância, condições de que também a Europa não se libertou na totalidade, são razões para que ainda tenhamos, e por alargado tempo, um mundo de imperfeição, com graves consequências para milhões de pessoas.
Contudo, a Europa não pode aceitar ser apelidada de tigre de papel, de entidade inerte, porque envelhecida, acusada de cobardia, por recusar a guerra e defender a paz, e de tantas outras aleivosias. A Europa tem que se afirmar com todo o seu poder, não esquecendo que continua a haver espaço geográfico decente com quem se pode relacionar na base do respeito mútuo, explorando competências, trocando saberes, comerciando na base do negócio sério, ajudando os mais fracos e apostando na evolução do mundo. A Europa não pode estar prisioneira de ninguém, e muito menos de quem não aceita regras, de quem não é sério, de quem insulta, e de quem quer negociar na troca de dez por mil.
A Europa é detentora de um potencial de relevo que lhe permite enfrentar crises globais, intervindo como potência económica, diplomática e humanitária. A Europa, como maior bloco comercial do planeta, pode usar da sua influência económica para promover valores de grandeza, estabilidade e alargada cooperação. Para tal, também necessita de líderes visionários e determinados a catapultar este continente para maiores níveis de progresso. Contudo, infelizmente, atravessa um período de apatia e desnorte que se compreende mal.
Não se entende como ninguém se afirma, determinadamente, para promover o debate e a adoção de medidas a que obrigam as grandes crises. Tanta cultura existente e tanto encolhimento manifesto só pode criar desnorte e pânicos que não se justificam. Apetece gritar: “Levanta-te Europa. Levanta-te, que és a mais sã parte do Universo”.
GFM