EDITORIAL: Nas guerras não há triunfadores. Vencedores são os que as sabem evitar

Nota prévia. Não defendemos regimes autocráticos, onde as pessoas não gozam dos seus mais elementares direitos. Antes estamos ao lado de democracias abertas e plurais, tal como as que vigoram nesta Europa em que nos enquadramos. No entanto, universalmente, também pugnamos pelo Estado de Direito, condenando as guerras assentes na lei do mais forte, quase sempre por razões de ordem económica, interesses individuais ou de grupo ou, ainda, por loucura de quem nunca deveria ter sido eleito para governar nações.

Em 1993, aconteceram os Acordos de Oslo (Noruega) entre israelitas, representados por Yitzhak Rabin, Primeiro Ministro, e palestinianos, através da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e do seu Presidente, Yasser Arafat, instituindo um plano faseado para o reconhecimento mútuo e a autonomia palestiniana na Cisjordânia e Gaza. Em 1995, Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista de direita e o acordo, paulatinamente, deixou de estar em vigor, apesar de o povo da Palestina se manter nos locais determinados. O que não voltou foi a paz. 

Em 2015, entre o governo dos EUA de Barack Obama, com o apoio de outras nações (Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) e o Irão, foi estabelecido um acordo que previa limitar o programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções internacionais ao mesmo Irão. Na altura, Obama, discursando, disse que, sem dar um tiro, limitava-se a capacidade nuclear do Irão, mediante controlo severo de entidades competentes. Porém, em 2018, no decurso do primeiro mandato de Trump, verificou-se a saída dos EUA deste acordo, com a alegação de que o mesmo era desastroso e que jamais deveria ter sido celebrado.

Estes dois casos, de alguma forma, são ilustrativos de como se chega a conflitos, pouco ou nada se fazendo para dirimir diferenças à mesa das negociações. Estamos perante mais uma guerra, iniciada pelos dois países que desistiram da paz, com término incerto, que levará a milhares de mortos, destruição e um marcante retrocesso civilizacional. Veja-se o caso do ataque a uma escola de meninas, que, a fazer fé, resultou na morte de mais de 160 pessoas. Agora, perante este quadro que está à vista de todos, falta saber quais são as consequências para as economias mundiais, mas tudo indica que não passaremos ao lado delas.

Dá para lembrar o que afirmou o líder parlamentar do PSD, quando disse que, entre Trump e Kamala para presidente da América, teria dúvidas em quem apostaria. De facto, dá para recordar, e meditar. 

GFM

Diretor do jornal A Aurora do Lima

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