Nesta casa, a luta pelo jornal ideal já leva 170 anos. Nunca aqui se baixou os braços, nunca se disse que não há condições para continuar. Não, sempre se acreditou que o fim jamais haveria de acontecer. Nesta longa caminhada muitos nasceram e morreram. No Alto Minho, particularmente em Viana, não foram poucos os órgãos de comunicação que entraram nesta aventura, convictos de que seriam perpétuos, mas, infelizmente, foram sucumbindo ao longo do tempo.
Muitos servidos pelo melhor da intelectualidade vianense, mas acabando a quase totalidade dos seus colaboradores por aderir ao corpo de colunistas do AAL. Lembremos o “Pero Gallego”, nascido em 1882 e nem um ano resistindo, apenas com 36 números publicados, sendo ainda hoje lembrado pela grandeza dos seus conteúdos. Recordemos a “Lusa”, revista de ciências e letras, orientada pelo distinto Cláudio Basto, médico e professor, criada em 1917, que teve o seu fim em 1924, legando-nos trabalhos de superior dimensão. Citemos, ainda, alguns dos mais conhecidos no plano nacional: Jornal do Comércio, O Comércio do Porto, República, O Século, Diário de Lisboa, Diário Popular, A Capital, entre muitos outros.
Manter o A Aurora do Lima ao longo destes 170 anos só foi possível porque muita gente, particularmente de Viana e do Alto Minho, lhe deu contributos eternamente lembrados. A escrever, a dar-lhe o melhor da sua inteligência, neste tempo de vida, foram centenas os que, abnegadamente, com respeitosa regularidade, lhe outorgaram os seus trabalhos, escritos ou artísticos.
Não foram só Camilo, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Urbano Tavares Rodrigues, João da Rocha, João Verde, Silva Campos, Claúdio Basto, Figueiredo da Guerra, José Caldas, Couto Viana, Conde d’Aurora, Alfredo Reguengo, Abel Viana, Carolino e Juvenal Ramos, e tantos outros de elevado perfil intelectual. Foram também centenas de pessoas, de profundo conhecimento das mais diversas áreas, que souberam dizer presente, quando convidados a legar a sua sabedoria a este jornal, que se tornou rapidamente referência Nacional.
Abordamos pequenos pormenores da história deste vetusto semanário, porque ele está novamente em processo de valorização, particularmente gráfica. Mas ainda não é o momento próprio para disso falar. Com todas as dificuldades com que se debate a Imprensa, queremos provar que o espírito de resistência aqui continua a imperar, até porque são cada vez mais os que querem aderir a esta causa e a mostrarem-se prontos para uma colaboração de que muito nos orgulhamos. Como se costuma dizer, “em frente é que é o caminho”.
GFM