O comboio internacional Celta, que liga o Porto a Vigo, enfrenta mais uma fase de perturbações. Durante os fins de semana de setembro e no primeiro de outubro, o troço espanhol da ligação ferroviária será realizado por autocarro devido a obras na linha férrea entre as estações de Vigo-Guixar e Redondela. A informação foi confirmada pelas autoridades ferroviárias espanholas Adif (gestora da infraestrutura) e Renfe (operadora ferroviária), numa comunicação à agência Europa Press.
As intervenções em território espanhol visam a melhoria da infraestrutura ferroviária na região de Vigo, mas terão impacto direto nos passageiros que utilizam esta ligação transfronteiriça. Para minimizar os efeitos das obras, a Renfe anunciou que o serviço será mantido através de transporte rodoviário alternativo nos seguintes horários:
- Vigo-Porto (08h58, hora espanhola) – de sábado a segunda-feira;
- Porto-Vigo (08h13, hora portuguesa) – aos sábados e domingos;
- Vigo-Porto (19h56, hora espanhola) – aos sábados e domingos;
- Porto-Vigo (19h10, hora portuguesa) – de sexta-feira a domingo.
Estes percursos serão feitos parcialmente por autocarro entre Vigo e Valença, com transbordo para comboio no restante trajeto.Este não é o único transtorno a afetar a ligação internacional. Desde 17 de agosto, a CP – Comboios de Portugal implementou um transbordo obrigatório em Viana do Castelo, alegando motivos operacionais. O percurso entre Porto-Campanhã e Viana é atualmente assegurado por automotoras elétricas UTE 2240, enquanto a ligação entre Viana do Castelo e Vigo continua a ser feita pelas automotoras espanholas UTD 592.
Apesar das alterações, a CP e a Renfe garantem que os horários se mantêm inalterados e descrevem o transbordo como “simples”, assegurando que a mudança é “excecional e temporária”. A CP indica que a situação se prolongará até meados de dezembro.
Reações e críticas
A Câmara Municipal de Viana do Castelo manifestou preocupação com a degradação do serviço e prometeu acompanhar de perto a implementação desta solução provisória. O presidente Luís Nobre (PS) exigiu investimentos estruturais na Linha do Minho, alertando para os impactos negativos destas interrupções nos utentes e na mobilidade transfronteiriça.
Também o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular – organização que representa municípios portugueses e galegos – criticou duramente o que classificou como uma “traição” às populações. Em comunicado, denunciou a “má gestão” do serviço Celta e afirmou que fará tudo para que os níveis de serviço ferroviário transfronteiriço sejam repostos com urgência.
